terça-feira, 22 de março de 2011
CHUP CHUP: R$ 0,40
É doutor. E dos bons. Cismou de ser médico, estudou e até conseguir não desistiu. Já saiu da formatura arrumando a mala pra assumir um emprego no interior de SP. Poderoso o rapaz.
Biel comprou seu primeiro carro - tudo novo, inclusive a marca no Brasil. Um Cherry pretinho, completo, um sonho. Rumou pra Itambacuri tirando uma onda danada, e até esqueceu que olho gordo é uma merda.
Voltou pra Cachoeira Paulista feliz da vida, parou na padaria pra comprar pão e se refrescar com um chup chup. Chegou em casa - a casa fica numa ladeira - desceu do carro e foi abrir a garagem, só que pra não sujar a alavanca do freio com a mão melada não puxou. Pensou que o carro, além de chique e bonito, ainda devia ser inteligente. Não era. Enquanto abria o portão o sonho de Biel desceu a ladeira e só parou quando uma árvore entrou na frente.
Arregaçou o bonitão sem dó nem piedade. Bateu, se fodeu, mas continuou limpinho.
E sonho não tem preço...
sábado, 19 de março de 2011
EU, DIMAIOR E A COLCHA
Adiei o quanto pude voltar aos escritos no blog. Andava com o coração apertado, sossegado, preguiçoso, e só gosto de partilhar o que tenho vontade, sem obrigação nem cobrança.
Agora deu. Tô de volta.
Troquei de computador - o meu não digitava o tê, nem o ypsilone, nem os acentos, e ficava uma coisa esquisita ler e ficar deduzindo, então achei melhor dar o tempo pra voltar animada.
Meu ano começou meio atrapalhado, mas bom. Tava ansiosa pra fazer 50 anos, com inveja de quase todas as minhas amigas que passaram desta idade e ficaram ainda mais bacanas. Fiz - sem a sonhada comemoração, mas fiz. E penso que também fiquei mais bacana, que nem elas.
Artur ia fazer 18 e, pra mim, o rito da passagem dele pra maioridade era mais importante que qualquer outra coisa. Comemoramos do jeito que escolheu, com uns poucos amigos, durante o dia, pra que saísse à noite inaugurando seu documento de "Dimaior". Adoro ver ele e os amigos usando as expressões "dimaior" e "dimenor" - tem um que já fez 21 anos e o apelido continua sendo Dimenor. Engraçado, eu acho.
Muita coisa mudou desde o aniversário dele. Vi minha vida passando como num filme, me apeguei à lembrança de meus meninos todos pequenos, do nascimento de Tuti, de meu medo de não vê-lo adulto. Neura de mãe, mas era de verdade. Fiquei felizona por ele e por mim, assistindo ao tal filme e gostando do que vi.
A partir daí me senti mais livre pra algumas decisões, adiadas e adiadas e adiadas... Tem sido uma boa experiência ter todos os filhos adultos.
Ganhei de presente de natal uma colcha de retalhos, feita pelas mulheres da Noiva do Cordeiro. Recebi bem depois de dezembro, porque ainda não tinha ficado pronta. Foi encomendada por meu amigo oculto e muitas se encarregaram de fazer uma peça que fosse a minha cara - alegre, colorida, grande, florida. Ficou linda demais na minha cama. Ainda me pego emocionada quando entro no quarto e dou de cara com aquela cama enorme com tantas cores e boas energias, que as mãos de todas elas colocaram ali.
A colcha representa minha vida, que venho costurando cuidadosamente ao longo de meus 50 bem vividos anos.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
PIANO, SAX , AUTO-ESCOLA
Aí acontece o inesperado; no dia seguinte à chegada do piano acordo com um saxofone tocando "cidade maravilhosa". Como assim? Afinal de contas não ganhei um sax; sou fã desde sempre (sempre que tomei conhecimento, digo), mas nunca pensei em aprender a tocar nem nunca tinha visto/ouvido um até me mandar de Itambacuri pra capital.
Então - foi assim - acordei sem entender o que tava acontecendo. O despertador nem tinha tocado e tava eu em estado de graça, ouvindo uma melodia linda às 6:23 da manhã, ou seja, ainda madrugada.
Cheguei na varanda de meu quarto de olhos bem abertos pra ter certeza de que não estava sonhando - e não estava.
Um instrutor de auto-escola tocava de verdade. O aluno não sabia se fazia baliza ou se emocionava com a música. Deve ter feito os dois, porque emocionar seria coisa certa, e fazer baliza seria necessário pra tirar carteira de motorista.
Os pedreiros da obra vizinha não gostaram. Preferem Banda Calypso. Fazer o quê, né? Música saxofonizada seria muito pra eles. Gritaram, xingaram, mandaram parar com aquela viadagem toda. O instrutor de auto escola parou. Rumou pra outro endereço, com ouvintes mais sensíveis.
Parou de ensinar baliza e de tocar sax.
Pena...
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A falta que faz um T
Escrever Teresa, técnica, televisão, traviata, trem, travesti, trapalhada, trapiche, trepada, trapacear, teoria, teologia, tartufo, tatuagem...nada disso dá. E tem cada palavra bacana que só!
Não poderia falar nem do DETRAN, que é o que vou contar hoje, no computador de meu marido.
Recebi uma correspondência pra renovar minha carteira de motorista, que vence daqui a um mês. Prevenida que sou, faço tudo o que é chato logo pra ficar livre. Fui.
Não podia ser através de despachante, uma vez que precisava trocar meu nome pro de casada. Tantos anos depois e só agora iria atualizar. Beleza.
Cheguei no DETRAN cedinho, pra evitar filas. Chuva que Deus dava e eu lá, esperando pra sair com tudo resolvido. Atualizaram meus dados, conferiram documento por documento, e vem a bomba: me mandaram pr'uma clínica na PQP de tão longe pra fazer de conta que ia fazer um exame. Fazer de conta eu digo porque é o exame mais furado que existe, em que não dá pra ninguém saber se você está ou não em condições físicas e psicológicas de conduzir qualquer veículo.
Argumentei com a moça do guichê, que me tratou mal pra caramba, que seria no mínimo razoável eu mesma escolher o local do exame, ou então eles me encaminharem pra que fosse mais perto.
Obs: tem uma na Timbiras e outra na Bernardo Guimarães, vizinhas ao detran.
Nada. Ela me ignorou, chamou outra senha e me deixou com cara de tonta falando sozinha.
Procurei o chefe do setor - ele me disse que era ordem do governador determinar a clínica na sorte, que a que caísse na digitação do nome do candidato à habilitação não poderia ser trocada.
Mais uma vez tentei explicar a dificuldade de atravessar a cidade debaixo daquele temporal pra fazer uma coisa tão simples, e que claro que seria possível facilitar a vida da gente, se tivessem vontade.
Não tiveram, nem a moça do guichê, nem o chefe dela, nem o supervisor do chefe, nem o delegado de plantão - conversei com todos e nada. Não adiantou minha conversa mansa, o jeito simpático - não tive o menor poder de convencimento. Ignoraram meus argumentos e me puseram pra correr com o rabinho entre as pernas.
Peguei um táxi furiosa, chorando de raiva, inconformada, indignada em me submeter à intransigência deles. Baixei na periferia da cidade enfrentando um trânsito caótico, paguei taxas caras no detran e na clínica, além de uma grana preta de táxi, tudo isto pra falar se tava enxergando 3 letras e 2 luzes. Em menos de 10 minutos eu tava com o protocolo pra receber a carteira revalidada.
Agora quem souber me diga - dá pra diminuir os acidentes nas cidades e nas estradas, quando o que os orgãos competentes pela legalização de documentos pra guiar se preocupam é em aumentar a "burrocracia", ao invés de ensinar e cobrar mais as normas d segurança?
Dá não.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O SUMIÇO DA PANTUFA
Então. Vai ter o lançamento de um livro super hiper muito demais show de bola - O SUMIÇO DA PANTUFA, vencedor em 2009 do prêmio "Barco a Vapor", da Edições SM.
Vai ser sábado, na Livraria Corre Cutia, de 10 às 13hs, com direito a autógrafos e contagem de causos!
Dica pra chegar fácil: av do Contorno > rua Grão-Mogol > 1ª rua à esquerda, rua Outono, 579.
Vam'bora todo mundo lá. Aposto que ninguém vai se arrepender.
Bejim
Cândida
* Em tempo: Ganhei um piano de presente. É piano mesmo, daquele de tocar, que fica na sala de visitas. Amanhã vou contar a história. Não percam. Inté!!!
sábado, 27 de novembro de 2010
(do livro "O Arroz de Palma",de Francisco Azevedo)
"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
MENINA DE OURO-PRATA-BRONZE
Imaginem uma menina encantadora - a minha LIS - pensando que queria muito mais do que ser publicitária e sem saber que rumo tomar...e mamy aqui, sem saber o que dizer pra tal moça bacana.
Fez um curso legal, graduou-se e teve homenagem de criação na formatura, trabalhou com moda, foi trapaceada pelo sujeito que vendia carnê do Baú da Felicidade numa kombi, fez estágio bem remunerado na empresa de publicidade de um dos "mensaleiros", não gostou da experiência e deu de fazer o curso de joalheria, pós-graduação na área, montou a oficina de jóias e pronto!!! T'aqui minha menina, brilhando mais que ouro em tudo o que se aventura a fazer.
A festa foi linda. Palácio das Artes pequeno pra tanta emoção. Eu, mãe apaixonada pela ninhada que sou, não sabia se ria ou chorava. Achei que o "mais bom" era comemorar com ela, abraçar muito, brindar, alegrar.
Com ela e todos os amigos parceiros pra sempre, que andam comigo pela vida.
http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1630663-9798,00-LUIZA+BRUNET+POSA+COM+AS+JOIAS+VENCEDORAS+DE+CONCURSO+EM+BH.html
terça-feira, 9 de novembro de 2010
DO BANCO DE LEITE AO ENEM
Pra quê? Pra ver a desorganização e irresponsabilidade do MEC atrapalharem toda a preparação técnica e emocional dos alunos.
A escola onde meu filho fez as provas ficou sem luz até as 15 horas; desde 1/2 dia os candidatos estavam lá dentro e não puderam sair até que a energia elétrica fosse reestabelecida, já que a faculdade Pitágoras não tem geradores. Terminaram a prova às 19:30h, exaustos e estressados. Domingo foi menos tumultuado , o que não impediu que houvesse confusão em alguns locais de aplicação das provas, inclusive com um aluno fotografando as questões e enviando pelo celular sei lá pra quem. É, o aluno entrou com celular, o que era - ou deveria ser - expressamente proibido e fiscalizado. Não foi.
Agora a notícia de que os exames podem ser anulados. Não quero acreditar que o ENEM vai ser motivo de chacota sempre, que ano após ano os responsáveis provem sua incapacidade pra organizar o que é de sua alçada, com todas as condições pra fazer um trabalho bem feito e não o fazem. Mais uma vez, azar dos alunos que estavam bem preparados.
Quando vejo meu menino que foi amamentado por mais de 2 anos, bem cuidado até mandar parar, estudou em excelentes escolas, trabalha desde os 15 anos, criou um jogo na internet que já tem dado frutos, enfim, é difícil de acreditar que virou um homem. Assustei quando fui deixá-lo lá no primeiro dia, eu mais agoniada do que ele. Estava seguro, equilibrado, preparado pra tomar seu primeiro rumo na vida por sua própria e solitária escolha. Definiu o curso, fez a inscrição, matriculou-se no cursinho prévestibular, estudou por 9 horas todos os dias, deu conta até aqui. Vai dar sempre, aposto. É um sujeito bacana.
Chorei emocionada me lembrando dele pequeninho, mamando no peito e me dividindo com outras crianças que também amamentei - o primo que foi adotado e a mãe ainda não sabia o que fazer com o bebê que surgiu de uma hora pra outra; o filho do amigo do pai, que era prematuro e o leite da mãe secou por causa da depressão pós parto; os bebês internados e ainda na incubadora, que eram alimentados com doação de leite materno para o banco de leite.
Era até engraçado. O furgão da maternidade vinha à nossa casa uma vez por semana, deixava 7 mamadeiras esterilizadas e levava outras 7 cheias de leite materno congelado. Durante a semana eu ia enchendo com o que sobrava depois que todos mamavam - não desperdiçava nada. Primeiro mamava Tuti, depois íamos pra casa do prematuro, depois pra casa do que foi adotado, depois tirava e ia enchendo as mamadeiras. Nessa mexida já era hora de repetir a "operação", então imaginem o que mais eu fazia além de amamentar, tomar banho, comer e dormir? Nada. Não sobrava tempo. Durante mais de um ano foi assim, até que mantive só o de meu menino - ate o desmame, muito tempo depois.
Chegou uma hora em que não deu mais, não porque não quiséssemos, mas porque ele rejeitava a maioria dos alimentos, só queria peito, e puxava minha roupa na rua ou em qualquer lugar quando a fome batia. Demoramos pra dar conta de desapegar, e nem sei bem se demos. Temos uma ligação eterna como mãe e filho, eu sei, mas sinto ainda uma comunicação interna que é, muitas vezes, inexplicável. Um sempre sabe o que tá acontecendo com o outro, mesmo sem precisar contar.
Agora está ele aí, neste mundão de meu Deus, escrevendo sua história do jeito que escolheu. E eu aqui, com o colo.
E os trabalhadores do governo lá, sem saber fazer uma prova direito, deixando nossos meninos sem saber se o esforço que fizeram vai valer.
Dá pra entender?
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
SOFASES BRANCOS
Ops! Meio milhões?
Voltei ao tempo em que meus filhos estudavam no Instituto Zilah Frota, a escola mais burguesa que o mundo já viu.
O uniforme:
* Meninos: calça curta de tergal cinza+camisa colarinho branca+gravata xadrez de verde e vermelho+meia escocesa xadrez+sapato de amarrar de couro marrom+pasta de couro marrom+merendeira de couro marrom
* Meninas: Saia plissada de tergal cinza+camisa branca+gravata xadrez+meia escocesa+sapato boneca de couro marrom+ pasta de couro marrom+,merendeira de couro marrom
* Pra meninos e meninas: Macacão cáqui com o nome bordado no peito
* Pra meninos e meninas - o uniforme de gala, que acrescentava capa e meias 3/4 brancas pra ambos e laço de fita de cetim branco pras meninas.
Era assim - iam pra escola impecáveis e voltavam ainda mais impecáveis. Chegavam lá e trocavam de roupa; colocavam o macacão e faziam todas as atividades. Faltando 30 minutos pro final da aula era hora da faxina de devolução pros pais - lavavam mãos e rosto, escovavam os dentes e as unhas, recolocavam o uniforme escocês e eram entregues à família.
A devolução: Os responsáveis iam buscar as crianças, algumas poucas mães, poucos caseiros e muitos, muitos motoristas. Até quem morava a um quarteirão da escola achava mais chique mandar motorista. Eu achava era muito brega morar ao lado da escola e mandar algum funcionário buscar meus filhos, então era uma daquelas "poucas mães" - senão a única - a entrar na fila de chamada. Chegávamos lá e tinha aquela fila enorme, as crianças nas salas de aula, e cada uma era chamada pelo autofalante pelo nome e sobrenome, aí descia. Pronto, 'tava entregue. Êita frescura!
Enfim, contei esta ladainha toda pra falar da primeira comunhão no Zilah Frota que era igual casamento, tamanha preparação e gastos.
Estava numa reunião de pais - mães, governantas e nenhum pai - pra decidir sobre a cerimônia da primeira comunhão. Eu, com a paciência que tenho sempre com frescura e conversas idiotas, 'tava lá sentadinha assistindo à esplanação sobre a programação da cerimônia.
Uma mãe chique - mas burra até mandar parar - dá de dizer que não concordava em cortar gastos imprescindíveis na festa de primeira comunhão, que a escola ficar inteirinha decorada com flores e "sofases" brancos era questão fechada pra ela.
Não consegui me conter, levantei e vim embora. Uma mãe que acha de suma importância sofases brancos não deveria nem abrir a boca, né não? Ia eu ficar fazendo o que naquela reunião?
A mesma coisa fiz hoje, ao ouvir "meio milhões" no Jornal Nacional - levantei e vim fazer um caldo de feijão caprichado. E tomar uma cachaça fazendo um brinde aos "sofases brancos".
TIA NITINHA
Saída de um noivado recém acabado, eu queria porque queria vir pra capital, começar uma vida nova.
Tudo combinado com papai, meu parceiro incondicional, esperamos mamãe ir pra São João Del Rey fazer um curso de especialização pra comprar passagem.
Vim. Fugi com a conivência de papai. Peguei um ônibus lá em Itambacuri e baixei aqui, na rua Serravit - Floresta. Guardo doce lembrança daquele endereço.
Vim. Pra casa de tia Nitinha, a tia mais encantadora e doce que alguém pode querer.
Os sábados à tarde eram dedicados ao vício - mesas de baralho. Marisa, já casada com Marcinho e com o filho Alexandre pequeninho, organizava os campeonatos de buraco.
Cassinha era solteira e minha companheira naquele quarto do tamanho do mundo. Dormíamos em camas vizinhas, mas como eu era muito menina, lembro bem dela me dando conselhos pra ficar esperta na capital.
Cozinho me apresentou pizza com catupiry, Fagner na vitrola, papo cabeça. Namorava Soraya e era fiel até a morte, mas me dava atenção como a uma irmã mais nova.
O Mineirão - a primeira vez que fui assistir a um jogo foi na torcida do Atlético, com Marcinho e Marcelo, irmão dele. Triste lembrança - não pude reclamar, nem sendo cruzeirence desde nascença. Papai morreu sem saber dessa traição...
Fui passar a tarde ontem com tia Nitinha. Ela operou do joelho e sempre reclama que foi abandonada por mim, que sumi depois que casei, coisas de tia que gosta muito da gente e fica enciumada quando não damos a devida atenção. Pois então, fui vê-la ontem.
Na chegada encontrei Cassinha, prima querida, que não via há uns 13 anos. Acho que nos encontramos no batizado de Bernardo, seu anjo fiote, que já fez 15.
Sabem aquela alegria de não querer parar de abraçar? Então, foi assim. Conversamos até, tomamos cerveja, prometemos não nos perder de vista nunca mais, combinamos de marcar uns goles debaixo do pé de couve de sua casa nova. Descobrimos que envelhecemos falando das noras queridas - Ana (de meu Pedro) e Zilda (do Pedro dela), das faculdades dos filhos, do vício em cigarro - eu parei por promessa a São Jorge, ela não - enfim, foi um dia mágico, que me levou às mais doces lembranças.
Tia Nitinha, vou sempre me lembrar da acolhida que tive ao chegar nesta cidade que hoje considero minha terra - a acolhida mais protetora que desejo, tenham meus filhos, se algum dia se mudarem de minha casa.
Tia, Isão, Cassinha, Có - vocês vão estar sempre num lugar especial de minha vida.
Can
domingo, 10 de outubro de 2010
A PÁ E A LANTERNA
E isso acontecerá com todos nós, com todos os casais que ficarem juntos com amor; algum dia (se tivermos sorte de passar a vida juntos), um de nós levará a pá e a lanterna para o outro."
Aposto que quem me acompanha no blog 'tá pensando que ando com fixação em casamento. Pode ser. É a terceira vez que trato do assunto, e com muito prazer, diga-se de passagem. Na verdade ando é apaixonada, cada dia mais encantada pelo meu Walmir.
E ele comigo - diz todos os dias e eu acredito.
Aconteceu "o" tão esperado casamento de Ana e Luiz. Tenho que me referir a ele como "o", porque não me lembro de ter visto cerimônia tão linda.
Pra começar o lugar é muito legal. Bonito, confortável, decorado com extremo bom gosto.
A cerimônia - alguém já assistiu à entrada de uma noiva ao som de harpa? Isto mesmo - tinha uma haspista tocando a marcha nupcial. Minhanossasenhora! É emocionante com força, gente. E os casais de pajens/daminhas? E o padre que falou lindo demais? Aquilo lá dá prazer de ouvir, e tinha verdade em cada palavra. E acredito que sim, Ana a Luiz querem iluminar a vida e ficar juntos até que seja necessária a pá.
Buffet perfeito, músicas idem.
Emocionou muito a alegria dos noivos e dos convidados. Sabem quando o mundo tá em festa, que entra um por um naquela onda de alegria? Então - foi assim.
Ana, linda linda linda, com um vestido em que nada sobrava nem faltava, na medida exata da beleza, andava pelos salões como se estivesse nas nuvens, numa leveza que só a felicidade plena nos permite. Luiz, encantado que estava com a noiva, olhava com a amorosidade dos realizados. Era este o clima da comemoração, de sonho. Lindo sonho.
Um brinde ao amor!
* E pra completar a perfeição, tinha bem-casados...
domingo, 3 de outubro de 2010
NÃO ACABOU
A única coisa que sinto falta é dos candidatos engraçados do horário eleitoral, ainda que ache um absurdo quem não gosta dos programas e não tem canais pagos ficar sem opção de mudar de canal - ou assiste ou desliga.
Se já não gosto de votar, aí é que me dá mais antipatia - ter que ir lá duas vezes, e pra escolher um dos que não escolhi antes. Êita chateação, viu?
Mas nem tudo é ruim de todo, e às vezes é até bem engraçado. Depois de votar eu e Walmir fomos ao mercado comprar umas coisas pro almoço. Ele viu uma placa dizendo que era proibido vender bebida alcoólica hoje por força da lei eleitoral. Emburrou, cismou que ia comprar cerveja de qualquer jeito, tentou convencer a moça do caixa e o gerente a passar as cervejas com o se fossem outras mercadorias - não conseguiu. Ficou resmungando alto, xingando quem inventou a tal proibição.
Como ele raramente bebe álcool, perguntei se 'tava mesmo com tanta vontade de beber e ele disse que não, que queria comprar só de pirraça, porque achava desaforo uma lei determinar que dia de eleição era mais importante que outro dia qualquer de trabalho. Por que pra trabalhar todo dia neguinho pode chapar - não deve, mas se quiser pode - e pra votar tem que ir sóbrio? Se ainda fosse pra escolher sempre certo seria até bom, mas não tem sobriedade que faça com que sejam sempre os melhores escolhidos.
Pra comprovar basta ver a lista dos eleitos. Dá tristeza. Dificilmente alguma coisa vai mudar.
sábado, 2 de outubro de 2010
CASAMENTO
Nasci pra ter a vida que tenho. Desde pequena respondia, a quem me perguntava o que ia ser quando crescesse, que queria casar e ter um monte de filhos. Cá estou, do jeitinho que sempre quis, rodeada por minha prole e, de quebra, ganhei mais 3 filhos já crescidos e adoráveis.
Uma semana atrás foi Laurinha, minha florzinha preta, que se mudou pra Itacaré com o amado Bruno. Vejo as fotos da casa dela e mal posso acreditar que aquela menininha brava e atrevida virou mulher - o tempo voou e a menina também.
Hoje é o dia de Bel, moça brilhante, dona do cabelo mais lindo que já vi - cachos de anja - oficializar sua união com Felipe. Convidou pra madrinhas todas as grandes amigas, e minha filhota é uma delas. Semana inteira trocando figurinhas no facebook, marcaram maquiagem e manicure, hidrataram as madeixas, enfim, foi o bando se preparando. Tá todo mundo curtindo a superfesta agora.
No próximo sábado é de Ana e Luiz. Se o noivado foi emocionante - num helicóptero sobrevoando Manhattan em pleno reveillon - imaginem como será o casamento. Lá vou eu chorar de emoção vendo a noiva entrar na igreja. Sempre choro. Acho lindo!
E os bem-casados? Existe algum doce mais gostoso? E o que representam é muito bom também. Tinha um trauma com relação a eles, que curei no casamento com meu Walmir. A comemoração foi bem íntima, só nós e filhos, num almoço depois do cartório, mas teve bem-casados de sobremesa.
Tenho algumas amigas que, penso, são felizes nos relacionamentos; outras, nem tanto. Tudo tem os dois lados, inclusive viver sozinho, mas viver junto é muito legal. Exercitamos diariamente parceria, paciência, generosidade, alegria, tolerância; um aprendizado constante e delicioso.
Boa sorte aos noivos!
sábado, 25 de setembro de 2010
FARINHA DE ROSCA
Tem farelo até na menina de meus olhos. Nunca vi nada se espalhar tanto quanto os malditos farelos quando são batidos no liquidificador. Lembrei exatamente de uma situação em que, aposto, todo mundo já passou: sacudir a toalha de praia contra o vento e voar areia até em quem está em alto-mar andando de lancha. PQP! Vontade de jogar fora farinha com liquidificador com panos de prato com a bancada da cozinha com minha cara junto, de tanto arrependimento. Coisa mais pobre bater pão velho pra fazer farinha, viu? Mas eu tava à toa, voltando do centro espírita toda relaxada e com preguiça até de pensar, aí dei de fazer a bobagem. Prá nunca mais, juro.
E olhem que se fosse Madalena - minha ajudante tonta - que inventasse uma proeza dessas, ia escutar uns dois dias. Mas não foi e cá estou eu, cansada de limpar chão e bancada pra fazer uma coisa que não custaria 3 reais na padaria. Tomou, papuda? Coloquei meu rabinho entre as pernas. Podem me chamar de burra, eu deixo. Burra, mas feliz.
'Tamos, eu e meu Walmir, fazendo um tratamento espiritual. Uma vez por semana ficamos por conta de limpar os carmas, as ruindades, e é muito bom. Tudo eu acho bom, mas isto é bom de verdade. É um tempo que dedicamos a cuidar do espírito, e nem jogo do Cruzeiro nos impede de cumprir o compromisso que fizemos.
Hoje tive certeza de que é o melhor que podemos fazer - porque perder de 4x1 não é coisa de Deus, é?
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
INVEJOSA GRAÇAS A DEUS
Hoje me roí lendo um anúncio na revista Piauí - a melhor revista do mundo, diga-se de passagem. Não sei se gosto mais das capas, dos artigos ou dos anúncios, mas este foi o mais sensacional que já vi em qualquer lugar. Vejam se não tenho razão:
" MENSAGEM ENGARRAFADA & DESAFORO POR ENCOMENDA"
Marileide aceita encomenda de mensagens por telefone ou entrega de pergaminhos enrolados numa garrafa. Vale tudo: cumprimentos e xingamentos.
Santo Antônio Além do Carmo - BA
Minhanossassenhora! Como é que uma pessoa tem uma idéia dessas e eu não? Este pra mim é infinitamente melhor que aquele do marido de aluguel, que causou tanto frisson quando foi publicado.
Quem disser que não tem inveja é um mentiroso e mentir também é pecado, pior até, eu acho.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
ADORO HORÁRIO POLÍTICO! SERÁ QUE VAI CHOVER?
O clima tá muito doido. É um tal de esquenta-esfria que deixa a gente sem saber se coloca agasalho ou os pés no chão pra refrescar.
Hoje tá quente demais. D’agora pra frente a chance de piorar aumenta, ainda mais com a proximidade das eleições. A cada dia os candidatos esquentam as acusações, os ânimos, as mentiras, as verdades que estavam debaixo dos tapetes dos comitês eleitorais, o desespero de quem tem pouca chance e de quem quer ganhar logo no primeiro turno...
Acho um absurdo esta história de segundo turno; somos obrigados a escolher entre os dois mais votados, quando nem sempre foi num deles que votamos da primeira vez. Ora, se não votei antes é porque não acredito que nenhum deles seja o melhor – ou o menos pior. Sacanagem, eu acho.
Agora mesmo tô nessa saia justa, ainda na esperança de que minha candidata vá para o segundo turno e eu possa votar nela de novo, tapando a boca dos poderosos que já consideram a eleição presidencial disputada só pelo casal Drácula e Tartaruguita. Os outros nem são considerados como possibilidade de disputa pau a pau. Vamos ver.
Mas que gosto imensamente de horário eleitoral eu gosto. Parece mentira, mas morro de pena quando acaba. É muito divertido ver os candidatos que aparecem sei lá de onde, de algum buraco negro no centro da terra de tão esquisitos que são, que mal sabem ler no teleprompter e ficam querendo agir naturalmente, como se falassem de improviso. Êita mentirada engraçada. Tem uns antipáticos até mandar parar que tentam parecer simpáticos, riem, abraçam eleitores, pegam crianças catarrentas e descabeladas no colo e devem se lavar com creolina quando chegam em casa. E os nomes, gente? Alguns impronunciáveis.
Um rapaz veio aqui pedir voto pro primo. O argumento usado foi que todo mundo precisa ter ao menos um conhecido bem próximo que seja político, pois numa “emergência” – entenda-se como emergência necessidade de trapaça – a gente liga direto pro celular do eleito e ele se vale do tráfico de influência pra resolver a questão. Detalhe: quem veio pedir votos é um calouro, ou seja, vai votar pela primeira vez e já tem esta opinião, já está estragado antes mesmo de dar seu primeiro voto. Ô pena...
Dia desses aconteceu uma coisa engraçada lá em Itambacuri: minha tia 'tava numa festa com todo o povo da cidade. Chega um desses candidatos antipáticos por natureza, mas como precisa de não sei quantos mil votos pra se eleger vira a simpatia em pessoa. Bate nas costas de tia e pergunta por seu filho. Deu azar. Falou o nome errado ao perguntar e citou foi o nome de outro sobrinho. Tia, implicante que é até mandar parar, ficou furiosa. Já não ia votar nele, mas depois disso deu foi de fazer campanha contra. Esbraveja toda vez que se lembra da cena: “FDP, nunca me cumprimentou antes e ainda vem perguntar de meu sobrinho como se fosse meu filho, me confundindo com minha irmã que morreu há 3 anos? Pois se depender de mim não tem nenhum voto meu nem da vizinhança”.
Hum, mal sabe o candidato que vizinhança pra ela é qualquer lugar onde dá conta de ir caminhando, e olhe que a danada parece que comeu canela de cachorro, de tanto que roda a cidade. Podia ter ficado quieto e perderia só um voto, né não?
AMERICANOS CUCARACHAS
Foi morar nos Estados Unidos 10 anos atrás, sonhando em juntar dólares e comprar uma casa no interior de Minas. Passou pelo México, atravessou o deserto à noite, ficou endividada por causa das despesas com a viagem, mas se ajeitou.
Conheceu um brasileiro que estava lá na mesma condição e deram de sonhar juntos. Tiveram duas filhas que nunca vieram ao Brasil. Receosos de não conseguir voltar foram ficando, juntando dinheiro, trabalhando e cuidando uns dos outros. Planejavam vir embora no próximo ano, pra férias definitivas em nosso adorável país.
Dias atrás a moça teve um AVC. Era velha não, nova, uns quarenta e poucos anos. Socorrida, teve que se submeter a uma cirurgia. Não resistiu.
Nenhum dos familiares ou amigos brasileiros era legalizado e a complicação só aumentou. Quem poderia aparecer e se responsabilizar pelo corpo sem correr o risco de ser deportado?
Deve ter sido o marido, não sei direito. Autorizou a doação de todos os órgãos e se perdeu na dor entre consolar as filhas e decidir se pegava todas as economias e providenciava o traslado do corpo vazio, oco, mas que ainda representava externamente o que foi a moça um dia.
Dez dias depois da morte, o velório de corpo presente vai acontecer em sua terra. A casa da mãe ficou cheia dos amigos e parentes chorando a espera, que aconteceu hoje. Não é nem de longe como a mãe pensava em reencontrar a filha depois de tantos anos, mas fez questão de que a trouxessem de volta, pra que pudesse se despedir.
O apego ao corpo físico é compreensível , mas será que justifica tanto tormento? Difícil julgar. Não seria menos traumático que as meninas de 6 e 8 anos, que nunca estiveram com os avós ou parentes que vivem no Brasil, continuassem por mais algum tempo onde estão desde que nasceram, e virem visitar a família aqui quando tivessem entendido a partida precoce da mãe? Como o viúvo, pai das meninas, vai conseguir sobreviver sem a esposa, sem casa, sem projetos concretos, vendo sua vida familiar virar de pontacabeça depois da tragédia?
Será que o fato de tantos americanos terem se beneficiado dos órgãos doados pela moça brasileira vai permitir a volta do marido e das filhas para concluírem o sonho interrompido naquele país?
Deus queira.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
SEM ESCOLHA
Vou contar o que aconteceu hoje e me deixou "abestaiada": paro no engarrafamento da Afonso Pena, lá no centro da cidade, e me distraio olhando os pedestres. Se tem coisa que acho interessante é ficar dentro do carro parado vendo aquele tanto de gente correndo de um lado pro outro, cada um em seu ritmo, com o gosto muitas vezes duvidoso na escolha das vestimentas, bolsas enroscadas entre o sovaco e o peito - principalmente das mulheres mais velhas. Fico reparando e nem vejo o tempo passar; o sinal abre e dá até pena de perder os lances engraçados que só em centro de cidade tem.
Enfim, eu 'tava lá distraída e vi um bando de ciganas - nem devem ser, mas estavam vestidas de- querendo pegar algum bocó pra ler a mão. Quando digo pegar era pegar mesmo, na marra, na força. Quando passava algum/a com cara de mais inocente elas pulavam na frente, do lado, atrás, puxavam a pessoa pela roupa, pela bolsa, pelo braço, por onde desse. Se não fosse com muita esperteza era impossível se livrar delas.
Fiquei incomodada com aquele desrespeito. Eu, cá de dentro do carro, protegida pelos vidros fechados e portas trancadas, me senti invadida por elas tanto quanto as pessoas que foram agarradas.
Ainda que fosse verdade o poder de ler a mão, isso não lhes daria o direito de obrigar o outro a querer saber do futuro, 'inda mais sendo uma grande d'uma picaretagem. Quer escutar? Escuta. Não quer? Escuta assim mesmo.
Isso pra mim é que nem ouvir conversa de celular de estranhos. O telefone toca em qualquer lugar e hora, o sujeito atende - de preferência bem alto - e não adianta a gente querer não ouvir. No elevador, na loja de shopping, no táxi-lotação, na fila do banco, na academia, na pista de cooper, no supermercado, caminhando na rua... Não tem jeito, escuta ou escuta. Sem escolha.
Tem horas que dá até vontade de dar palpite na conversa, pra ver se a pessoa desconfia do quanto está sendo incoveniente.
Os assuntos são de uma variedade infinita: a saúde dos parentes, compra de madeira pra reforma da casa, quantidade de kg que engordou, quota do churrasco rateado por 16 pessoas num dos jogos da copa e e aquele amigo folgado não pagou, carona pro Mineirão, a tinta que manchou todo o cabelo, o médico que negou um simples atestado só pra que ela não emendasse o feriado, o fingimento da cunhada e da sogra...
Gente, juro que nada disso é invenção minha. Tenho uma caderneta que fica sempre à mão, pra que eu anote algumas coisas que tenha vontade a qualquer momento.
Muito do que escrevo aqui só consigo me lembrar depois por causa das anotações. Vale a pena, não vale? E vocês tem escolha.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
DE MÃE PRA MÃES
Um anjo skatista deu de partir cedo demais. Chorei até desidratar e perder a voz, porque me coloco no lugar da mãe dele e não consigo acreditar que ele 'tava lá, fazendo uma coisa tão bacana, voando no chão, e vem alguém pra acabar com a alegria do menino, da mãe do menino, do pai do menino, dos amigos do menino, de tantos meninos e tantas mães dos meninos que só querem sentir o vento na cara, testar o equilíbrio em cima daquela prancha de madeira, ralar os cotovelos e joelhos pra, quando chegarem em casa esfolados, a mãe assoprar e fazer curativos. Se for muito grave os amigos já ligam do hospital pra mãe ir lá ver o médico colocar ombro no lugar, engessar braços e mãos, marcar cirurgia pra remendar o que quebrou na última queda...
Cada um precisa ter mãe pra dar apoio quando é machucado às vésperas de uma competição e, claro, não consegue lidar com a frustração sozinho. Aí aparece um colo quentinho pra acolher, mãos protetoras pra fazer um chá e tempo disponível pra assistir juntos filmes "nada a ver", mas cada etapa destas faz parte do apoio moral pro anjo melhorar.
Cada uma de nós precisa tê-los pra saber a delícia que é o amor incondicional, infinito, sem ressalvas - apesar dos sobressaltos.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
ANJINHA FULÔ
Pelo cinza e macio, olhos de coruja - bem redondinhos, carente que só, vivia ronronando e pedindo carinho.
Correu atrás de um passarinho, caiu na piscina de madrugada enquanto dormíamos e não conseguiu sair da água.
Mora agora sob o céu da Serra do Rola-Moça, um lugar lindo, cheio de plantas de todas as cores - inclusive cinzas, da cor de uma de minhas meninas.
Tenha bons amigos em seu novo mundo, Fufu...
HUMILHAR - NÃO PRECISA...
O assassinato de uma moça virou nome próprio: Bruno. Trágico demais e com sinais de terror. O rapaz está preso, bem como outros suspeitos. É tanta gente envolvida que dá pra encher uma penitenciária, porque todo dia surge mais algum.
Nesses casos policiais tem uma coisa que sempre me incomodou, e que passei a observar desde a prisão de PCFarias lá na Tailândia; quando o preso é famoso por qualquer motivo, de bom ou ruim, a polícia se esmera em mostrar pra todo mundo quem manda em quem.
Semana passada aconteceu uma situação que, no mínimo, me pareceu ridícula. O goleiro Bruno foi transferido do Rio pra Belo Horizonte já preso. Quando desceu do avião as autoridades policiais disputaram quase a tapa quem iria segurar no braço do goleiro, empurrando o sujeito pra frente, como se fosse pouco ele estar preso e a imprensa toda lá. Uma das delegadas quase despenca na escada de desembarque, pra não perder a chance de mostrar autoridade. Um apresentador de tv debochava - "Olhem ele aí, de uniforme laranja... e não é uniforme do time da Holanda não, é da penitenciária mesmo...". Chutar cachorro morto é demais pra qualquer um suportar, ainda que mereça ficar preso pelo resto de seus dias. O cara já tá fodido, querendo morrer, sem mais nada que preste a que possa se apegar, e dá-lhe humilhação!
Com o preso anônimo não tem disso. A pessoa é algemada e caminha sozinha, pra onde mandam.
Além de perder tudo – a liberdade, o conforto de casa, o convívio com família e amigos, parece que o preso ainda precisa perder a dignidade pra pagar o preço justo pelo crime que cometeu.
Precisa humilhar? Não precisa.
O filho de uma amiga estuda em Ouro Preto. Morou numa república quando passou no vestibular. Lá tem a tradição de que, pra ser aceito, o “bicho” – como é chamado o calouro – precisa se submeter a todos os caprichos dos veteranos. Além de fazer todo o serviço da casa, ser obrigado a sair pra comprar cerveja ou o que quiserem na hora em que mandarem e vestir o que os outros escolhem, tem que desfilar por toda a cidade com uma placa pendurada no pescoço. Não basta mostrar obediência dentro da casa. A submissão tem que ser pública.
Precisa humilhar? Não precisa.
Conheci uma pessoa alguns anos atrás que quase se tornou minha amiga. Era casada com um amigo de meu marido e chegou a ficar bem próxima. Dei linha nela quando vi a forma como tratava os empregados. Conosco era delicadíssima, mas com os subalternos se transformava numa ditadora. Chamava atenção xingando e chegou a despedir um deles na frente das visitas – dentre as quais eu. Sumi dela, virei pó. Ter respeito pelos empregados é o mínimo pra quem quer ser respeitado.
Precisa humilhar? Não precisa.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
ADIOS, BRASIL!!!
Deu Holanda na cabeça.
Fiquei com uma dor de corno danada, porque 'tava, declaradamente, torcendo pra Argentina. Não sei se ficou claro, mas torci pelos hermanos em segundo lugar, depois de nosso Brasil, claro! Tomara que a decepção seja só esta de hoje...
Agora me restam 2 alternativas: Argentina e Gana. Os africanos merecem por ser um povo sofrido, que nunca conseguiu muitas conquistas, mas os hermanos merecem também - lutadores, amigos que acreditam sempre, vizinhos. Maradona levou as famílias dos jogadores da seleção pra África do Sul. Cada um em sua casa, junto de sua respectiva família tem motivo pra vibrar, e todos pra comemorar e agradecer a Deus por terem um técnico como EL PIBE DE ORO...
Santiago Parma que o diga! Já foi meu genro o rapaz, torcedor do Bocca Juniors. Tá felizão hora destas...
Gosto de futebol, cerveja, tiragosto, amigos reunidos, feriadão, gritaria; vuvuzela não. Mas respeito. Os africanos podem tudo.
Dá-lhe GANA! Dá-lhe ARGENTINA! Dá-lhe CRUZEIRO, meu time do coração, que não dá chance pro azar...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
NEM FOGACHO NEM HORMÔNIOS: PÍLULA
Eu, que 'tava meio borocochô, sem forças nem pra rir, até me esqueci da dor enquanto elas estavam aqui. Conversamos por umas 2 horas sem respirar, um assunto emendado no outro. Claro que demos boas risadas.
Depois que elas se foram até que tentei, mas não consegui chegar a uma conclusão sobre determinado causo. Uma delas narrava o desconforto que sente quando as "culegas" ficam insistindo sobre os sintomas da menopausa, e não acreditam quando diz que nunca teve fogacho, não toma hormônios, que tá com a saúde zerada. Não acreditam ou ficam com inveja, sei lá. Tá pensando em caprichar na resposta quando perguntarem de novo: "Como vou ter sintomas de menopausa se tomo pílula pra não engravidar?"
É certo que vão sacar a mentira, mas pelo menos vai ficar clara a impaciência dela com o tal assunto.
Tem gente que não tem desconfiômetro, né? Conheço algumas pessoas assim, que mal são apresentadas a outra já se sentem íntimas, amigas de infância. São capazes das perguntas mais indiscretas, de cutucar a árvore genealógica até descobrirem um parentesco ou conhecido em comum.
E ainda as que caçam conversa em sala de espera de consultório médico, fila de supermercado e de banco, salão de beleza... Ê coisa que dá preguiça, viu? Não gosto de prosa com estranhos, então pra não ter que ser grosseira ando sempre com uma revista de palavras cruzadas na bolsa - onde chego tiro e me concentro, não dando muita chance pra conversa fiada. Outro macete é usar fones de ouvido, ainda que não esteja ouvindo nada. Pelo menos dificulta as pessoas "sociáveis" demais. É minha arma pra ter sossego, usada na caminhada matinal.
Será que tô ficando maniada? Logo eu, que tenho fama de ser boa prosa? Sei não, mas acho que a idade não perdoa ninguém. Tenho até medo de ficar muda quando envelhecer...
Em tempo: Nem adianta perguntar, porque não tomo hormônios nem tenho fogacho. Nem paciência pra responder a perguntas indiscretas...
domingo, 27 de junho de 2010
ALÉM DA QUEDA...O COICE
Já que é assim, o negócio é rumar pra igreja, pro centro espírita, pro terreiro, pro lugar em que o "urucubacaiado" tem fé. Pode até ir em todos, porque se não fizer bem mal também não faz.
Depois que escrevi a postagem me declarando torcedora da Argentina - na verdade torço pela alegria e emoção de Maradona - não posso nem respirar que machuco o pé ou a perna. Brincadeira não. Só pode ser mandinga. De Dunga ou dos simpáticos a ele. Azar deles. Estropiada ou não, continuo na torcida pelos hermanos.
Hoje saí toda feliz pro teatro com meu marido, animadinha que só - apesar da "perna de boneca" (é quando a perna da gente parece que tá desencaixada). Fazia tempo que não saíamos à noite, ruas vazias, estacionamento facim facim. Pois não é que quando vamos atravessar a rua não vi o meiofio e caí? Estrebuchar não foi, mas torci o pé e caí delicadamente, o que não fez a queda ser menos jeca. Ele tava abraçado comigo e por pouco não vai junto.
Conheço poucas coisas tão barangas quanto cair na rua: ser atropelado, dor de dente, churrasco na lage, sombrinha, unhas grandes no pé... mas cair na rua é a que dá mais vergonha, é ou num é?
Tô aqui com gelo no pé, pomada de Chico Xavier que minha nora trouxe do Centro pra passar antes de enfaixar, rindo e me lembrando de Alba, que em meio ao choro pelas tristezas da vida saiu com este ditado - "além da queda o coice", que bastou pra gente cair na risada e tomar mais umas 5 cachaças só pra brindar.
Esta postagem é pra você, minha amiga-irmã!
sábado, 19 de junho de 2010
MARADONA É O CARA!!!
Não sei se pela antipatia gratuita - será tão gratuita assim? - que tenho por Dunga, mas tenho uma simpatia tão, mas tão grande por Maradona que torço pela Argentina desde pequenininha. Sabe aquelas coisas que a gente não consegue explicar? Nem a raiva enlouquecida que senti pelo Estudiantes quando o time acabou com a festa do meu amado Cruzeiro na Libertadores do ano passado me faz torcer contra a Argentina.
Aquilo é que é futebol, gente. O cara orienta, abraça, beija os jogadores, torce, fica nervoso, faz 8 - OITO - "pelo sinal da cruz" e dá-lhe gol. É assim que funciona, Dunga. Prest'enção, rapaz. Emoção é a mola do mundo. De que adianta ficar todo técnico, com cara de concentrado, quando tudo o que o brasileiro quer é gritar, torcer, comemorar?
Amanhã tem mais...sofrimento. Kaká tirando a franja da testa, Luiz Fabiano chutando na trave, Dunga com a língua de fora por sei lá quantos segundos/minutos/horas...
Tem dó. Dá-lhe Argentina! A paciência do brasileiro tem limite.