sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pouco troco, muita raiva

Em nenhum lugar do mundo acontece como no Brasil: troco só é considerado dinheiro a partir de 5 centavos, e olhe lá, de repente nem isso.
Hoje passei uma raiva federal, daquelas que depois a gente pensa "bobagem, não valia a pena me desgastar", mas aí não adiantava mais - já tava furiosa, chutando pedra.
Fui comprar um remédio na Drogaria Araújo da zona hospitalar, em frente ao Hospital São Lucas. Enorme. Acho que a maior de toda a rede, pelo menos que eu conheça. A conta deu 37,48. Beleza. Paguei com uma nota de 50,00. A moça do caixa me devolveu 12,50 sem a menor cerimônia, nenhuma balinha, nenhuma caixa de fósforos, nenhuma satisfação, nada. Perguntei se ela não tinha os 2 centavos porque achei desaforo - sempre acho, mas nunca falo nada.
Aí o bicho pegou, porque ela disse que 2 centavos só tinha com o gerente. Piorou a situação gritando pra outra que estava no meio da farmácia: "Liane, pega 2 centavos pra dona aqui lá na gerência!"Gente, o caixa é quem cobra e recebe, então porque 2 centavos tem que pegar na gerência? A Drogaria Araújo arrumou um jeito doido demais de surrupiar o troco da gente, né não?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Barbies, Pégasus, aniversário!

Minha menina Lis faz 30 anos sexta-feira. Hoje fiz caminhada toda com ela no pensamento, me lembrando de cada coisa - que dei conta de lembrar, lógico - desse nosso tempo juntas como mãe e filha. Deu vontade de ficar andando dia inteiro, tantas são as lembranças.
Mas foi com alegria, sem "minanconia", como diz meu Walmir.
Ria de algumas coisas, como de quando decidiu fugir de casa aos 5 anos e a fuga durou um quarteirão; da viagem dela pra Disney com uma amiga aos 11 anos que dava um livro; da briga que teve com umas ex-amigas do Zilah Frota que me fez soltar os cachorros - literalmente - nas meninas que xingaram a minha...Quem cruzava comigo na pista devia achar que eu ria do que ouvia no rádio - caminho com fones ouvindo a BandNews ou CBN. Era não. Ria de mim e de outras lembranças.
Tem gente que diz que as crianças de hoje são menos felizes que as de antigamente. Por antigamente entenda-se anos 70, quando eu era criança. Discordo.
Pelo menos as minhas tiveram de tudo um pouco - vida de interior, contato com bichos de toda natureza, viagens bacanas, experimentos com comidas variadíssimas, quintal, fruta no pé e, de quebra, computador e toda a parafernália eletrônica. Tiveram sim, foi uma infância muito mais rica.
Pois então; na andança vejo um menino brincando na calçada com um carrinho de controle remoto enquanto a mãe caminhava. Aí aparece na memória como se fosse hoje eu, nas Lojas Americanas, esperando chegar o caminhão que traria o Pégasus, carrinho que todos os meninos com idade de 1 a 100 anos desejavam ganhar de natal naquele ano. E eu lá, na fila, porque os meus tinham certeza de que a carta que colocamos no correio tinha chegado ao destinatário Noel e ele não ia quebrar a promessa de trazer o presente.
Braços carregados - casa da Barbie, Ken japonês, Barbie negra, Pula pula, Bola do Cruzeiro, carrinho de bebê pras bonecas - e eu lá, na fila, esperando o Pégasus.
Será que este brinquedo ainda existe? O daqui de casa foi pra alguma creche, porque tudo o que não é usado passo pra diante. É bom. Sempre que entra alguma coisa nova sai uma outra.
A coleção de Barbies de Lis foi pra alguma menininha que ficou feliz demais, porque tinha de tudo, da cozinha ao carro, e ainda de quebra o noivo, porque tinha Ken de tudo que era jeito.
Hoje minha menina é uma mulher feita, decidida, competente, artista de mão cheia, feliz. Vive à beira do mar, cria jóias maravilhosas, cuida da própria casa e da vida que é boa demais. Penso que tao boa graças também à infância que teve.
Parabéns, fiotinha!

domingo, 25 de setembro de 2011

FOGO ENGOLE TUDO - DE NOVO

Meu marido escreveu no blog dele em agosto de 2007. Hoje, quatro anos depois, a história se repete. A Serra do Curral é, neste momento, uma cortina de fogo e fumaça. Corpo de bombeiros a postos, sem muito o que fazer. E a bicharada calcinada de novo. E a montanha inteira é transformada num só túmulo.
Mudou governador; mudou prefeito; mudou o ano. O que não mudou foi a providência definitiva pra tragédia ambiental não se repetir. Por quê?
E desta vez não teve meninos soltando pipas pra levarem a culpa.

07/08/2007

"A vegetação, neste inverno seco, era um palheiro esperando fagulhas.

Há dois anos o sistema de irrigação e proteção contra incêndios deixou de funcionar. E ficou assim.

Antes, esguichava água todas as tardes e todas as manhãs; durante 5 anos não ocorreram incêndios.

A MBR, mineradora que hoje pertence à Vale – e que devastou a parte anterior da Serra do Curral para extrair minério – responsável pela instalação e manutenção do sistema no alto da montanha - informou que ele não funcionou por conta de uma pane elétrica.

Mentira, já não funcionava há muito tempo. Mas nós ficamos calados.

Os bombeiros disseram que jovens, buscando recuperar pipas, atearam o fogo.

Eram jovens num Festival de Pipas promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, na Praça do Papa.

Não sei. Foi uma coluna de fogo - de alto a baixo da montanha - repentina, furiosa pelo vento. Repentina. Não me pareceu coisa de jovens desavisados, desconfio, mas não afirmo contra.

Em vinte horas, 85% da mata virou cinza.

A Serra do Curral é o Corcovado de Belo Horizonte, vastos alqueires de montanha cobertos de vegetação, habitados por pequenos mamíferos – muitas espécies de roedores, micos, quatis - répteis, aves de toda espécie como beija-flores, canários e azulões; aves de rapina grandes e pequenas, os elegantes gaviões, corujas buraqueiras, urubus-rei. Todos perderam seus ninhos e filhotes nos alpendres de pedra da montanha de onde, todos os dias, levantavam seus vôos de variada qualidade.

O capim alto, pendoado em vermelho no outono e amarelo ressequido neste inverno, verde e lindo nas primaveras; vegetação característica do cerrado, arbustos, muitos pinheiros nos contrafortes baixos. E as orquídeas? Minúsculos pontos coloridos na escarpa. Nada mais, só esqueletos e cinza.

Desgosto.

Tudo agora está preto, calcinado, pedras negras espetadas como túmulos, silêncio dos pássaros, cheiro de animais em decomposição, de carne queimada. O vento carrega o cheiro brando da morte para dentro de nossas casas, empesteia o nariz de quem caminha no Anel da Serra.

Moro de frente para a montanha. Basta atravessar a rua e, ali mesmo, começa a erguer-se o monumento natural mais belo da cidade.

Dois quarteirões atrás fica o palácio das Mangabeiras, residência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Se ele estava lá na noite do dia 5, deve ter presenciado a tragédia. Mas ficou calado.

O prefeito da cidade, Fernando Pimentel, se viu, também se calou.

Jornais e Tvs receberam alguns alertas, não se manifestaram.

Nós, moradores, nada fizemos para prevenir a tragédia anunciada, reclamamos entre nós do inverno ressequido, da falta de esguichos da MBR/Vale.

Reclamamos em casa, lamurientos, mas não tomamos qualquer atitude.

A associação do Bairro foi inoperante, fomos inoperantes, não nos mobilizamos, alertamos, e o seco inverno transformou a Serra do Curral num fogueira de 20 horas que nos cobre a todos de vergonha.

Ao final, a culpa ficará com uns garotos que soltavam pipa."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CONTO DE FADAS

Nasci na época errada, tenho certeza.
Sou daquelas que acha que mulher nasceu pra parir, cuidar dos filhos e de
seu macho alfa, fazer quitandas pra encher as latas da despensa...e não
se preocupar com contas a pagar.
Copiei a postagem de Aninha - amiga linda e querida - no seu blog
Equilibradora de Pratos - passem por lá e vão ficar viciados na menina,
aposto - e fiquei pensando em quais de minhas amigas beijava e qual
comia a rã...
O texto é do Veríssimo, acho.

"Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda,
independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza
e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante
e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui
um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã
asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo
príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu
jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos
felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée,
acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo
vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!"

OLHA ELA AÍ

"Vem, chuva. Eu sei que você consegue."
Artur fez a corrente no Face, eu fiz chuva de farinha no quintal, cada um tentou como pode convencer São Pedro de que não dava mais pra pingar colírio, lavar o nariz com soro fisiológico, hidratar a gente e os bichos, olhar pro sol com ar desolado e pedir licença a ele, que empacou no céu de BH. Depois de 96 dias secos tivemos uma noite deliciosa, fresquinha, uma manhã como nem me lembrava mais. Acordei cedo, enrolei a mangueira de regar horta e jardim - tomara que não precise dela por uns bons dias, peguei as roupas molhadas no varal numa alegria adolescente e comecei meu dia de trabalho grata às gotas abençoadas.

sábado, 10 de setembro de 2011

ALEGRIA ALEGRIA

Semana de alegria. Esta foi assim.
Teve de tudo um pouco : Visita deliciosa de minha passarinha; Almoço com a tchurma de Lis, que tinha até Nina no balanço enfeitando nossa cozinha, rimos até dar cãibra no queixo com os causos de Jojô - as fotos provam isto; Oficina de padaria com Elisa e Lelê; Raul amigo querido operou e já 'tá em casa se restabelecendo; Noivado oficial de Ana e Pedro- lindo, emocionante e mais que delicioso - perfeito!; Casa cheia de skatistas pro downhill da independência, hóspedes que vieram de muito longe - os daqui são de Santa Catarina e da Argentina; Artur bem classificado na tomada de tempo do campeonato hoje; Teodoro, o gato que adotei, está super bem adaptado e já passeia por tudo que é canto.; Mamãe solta no mundo, viajando pelo nordeste, ontem ligou de Salvador numa animação de dar inveja; Aninha, amiga carioca querida, vai ter outro fiote - que pelo visto foi encomendado em nossa casa, na última vinda deles em Julho.
Dá pra ter alguma tristeza com tantas coisas legais acontecendo? Dá nada.
Tô de volta ao blog. Alegre como sempre!

domingo, 26 de junho de 2011

DESTINO OU ESCOLHA?

Muita gente não acredita em destino. Eu acredito.
Como explicar um sujeito que para na estrada pra ver um acidente e é atropelado pelo próprio carro? Assim- desceu, puxou freio de mão, engrenou uma primeira, ligou pisca alerta, colocou triângulo, tudo direitinho, e foi pra frente do seu carro ver o caminhão que caiu na ribanceira. Vem uma carreta em alta velocidade e não teve tempo de frear; passou por cima do que tinha pela frente.
Hoje li uma crônica de Laura Mediolli que fala disto, e tem umas coisas que seriam engraçadas se não fossem trágicas. Uma delas: o cara morre atingido por uma tartaruga que caiu do céu.
Num programa de tv passa acidentes incríveis. Teve um nadador que estava treinando e morreu carbonizado. Como? Um avião do exército apagava um incêndio e buscava água no mar com um balde pendurado - encheu o balde exatamente onde estava o nadador e, claro, o piloto não viu, uma vez que o balde ficava embaixo do avião. Carregou a água até o incêndio e jogou com nadador e tudo no meio do fogo.
Mas não é só desgraça não, tem as coisas alegres. Como explicar uns encontros tão bacanas que acontecem entre amores, amigos, pessoas que jamais se encontrariam se não tivessem desligado o celular naquela hora, atravessado aquela rua, ido às compras naquele dia, assistido àquela peça? Tudo e qualquer ato nosso muda completamente nosso destino e o dos outros.
Escolha é o que você faz, destino é o que acontece decorrente do que fez. Acho assim.
Tenho uma amiga que está finalizando o casamento. Escolheu o caminho da coragem, embora a dita cuja lhe falte em alguns momentos e a amiga se desmanche em lágrimas. Natural que seja assim, porque a gente se acostuma e sente falta até do que é ruim.
Sobreviver a uma ou muitas crises no casamento é uma coisa; acomodar ou se apegar a uma matriz de sofrimento é outra bem diferente.
O desencontro deste casal 'tava escrito no destino? Sei lá, ninguém sabe, mas certamente as escolhas que fizeram ao longo da vida levou os dois a viverem a separação. E pode dar a chance ao casal de ter uma vida alegre, amorosa e leve com outros parceiros.
Falo com a arrogância de quem esteve lá - e passei por tanto pra achar meu par nesta vida.
O tempo todo laços se fazem e se desfazem. Um dilema moral nos coloca em dúvida quando desfazemos laços importantes, mas quando isto acontece é porque tais laços já se romperam irremediavelmente.
E é nesta hora que fica mais confortável acreditar no destino e derrubar qualquer culpa - sem se isentar da responsabilidade das escolhas, claro.
E se tinha que ser assim que seja.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

RICARDO ELETRO=DESESPERO!!!

Comprei hoje um eletrodoméstico na loja da Ricardo Eletro e, se arrependimento matasse, eu já estaria cremada numa hora dessas...
A vendedora foi solícita - claro, queria vender - e eu uma trouxa, porque como era uma coisa de que tava precisando muito, logo fiz negócio. Já tinha pesquisado em outras lojas e na internet, então decidi numa segurança de dar inveja. Subi as escadas (a contragosto, porque se fosse deficiente tinha desistido da tal compra) e catei logo um caixa pra pagar. Paguei.
Na hora de pegar a mercadoria na expedição cadê? Não tinha o que comprei. E o responsável pela entrega ainda debochou de mim e me mandou descer as malditas escadas e "caçar" a vendedora. Nada... a vendedora tinha saído pra almoçar.
Tentei resolver com calma e nada. Chorei até desidratar e nada também. Fiquei tão indignada que liguei pra polícia - nada também, não apareceu nenhum policial pra me socorrer. Nenhum funcionário sabia o que fazer, sendo que tudo o que eu queria era que cancelassem o débito no cartão ou me devolvessem em dinheiro, já que não tinham a mercadoria pra me entregar. Nada...
Cheguei na loja antes das 14 horas e saí às 16:50 sem nada resolvido. A única coisa que eu sabia era que ia morrer numa grana preta de estacionamento, e foi o que aconteceu - 48,00 por quase 4 horas.
Agora quem souber me diga: o que devo fazer? Mandei um e-mail no site da RICARDO ELETRO, mas minha amiga já me desanimou e disse que não vão me dar a menor confiança.É assim que trabalham, disse-me ela.
Tô sem o dinheiro, com o débito no cartão, sem o que comprei - acrescido de um prejuízo de 48,00 de estacionamento enquanto me desesperava na loja. E aí, sr RICARDO DEUS MENTIROSO, que faz aquela propaganda toda na TV e não banca o que fala? Cadê seu telefone, que vc diz pra gente ligar pra você? Será que só eu sou uma idiota de acreditar ou Luciano Huck também é, já que avalisa tudo o que você promete?

sábado, 28 de maio de 2011

De Walmir para Lis

Lis,

seus anjos de guarda são dois. Um fala agora, o outro depois.
Este que agora fala garante um momento justo, com brincos de prata e ouro, junta formas a esmo coisas foscas ou brilhares, que vêm de tantos lugares que nem os anjos se lembram, mas tocam em frente o processo.

Escreva então outro verso!

E sua mão obedece cegamente, comportada, e mesmo que não diga nada, no fim a forma te intriga.

O outro anjo te escuta, pondera, discute contigo, aconselha como amigo a escolher cada pedra, evitando o perigo de registrar cegamente as coisas que vêm à mente e comprometem depois.
Você tem muitos amigos, mas anjos de guarda, só dois.

Um deles volta à carga e te mantém artesando e criando e bebendo. Você é só instrumento de mensagens imediatas, de conclusões provisórias que, se não contam histórias, também não são um lamento.

Tens uma história simples, uma família normal, tens amigos, colegas e um afeto especial. Tens coisas diferentes, às vezes incompatíveis, milhares de neurônios e um curso superior que contigo se indispôs.

Tens um milhão de motivos, mas, anjos da guarda, só dois.

Rogas pragas criativas: “mas que puta que pariu”, xingas. No sábado ou no domingo e às vezes pela semana, dizes que vai à merda e oferece carona, mas se comporta direito. Paras no bar, se abastece, te dás o que bem mereces e não reclamas depois.
Você tem muitos defeitos, mas anjos de guarda, só dois.

Rende à fadiga do corpo, à meditação necessária. Para, limpa a área mais ou menos e vai descansar, finalmente. Come do último doce e liga a televisão. Viver assim, não é mole, mas tudo sempre se encontra no lugar onde se pôs.

E vais dormir. Boa noite

Tu e seus anjos. Os dois.

sábado, 14 de maio de 2011

CASA DAS MENINAS

Lis, minha flor mais linda, virou passarinha e voou.
Não foi assim, de repente, fugiu da gaiola quando fui colocar água fresca e comida. Não - foi de caso pensado e sem nenhuma precipitação.
Vinha falando na mudança há algum tempo, no sonho de ter seu canto, das amigas que queriam sua companhia na casa nova, no amor pelo mar e pelos ares do Rio, nas aventuras e desventuras vividas na cidade maravilhosa em infindáveis vezes que esteve por lá, umas experiências mais e outras menos alegres - mas todas elas muito bacanas.
Escolheu Bebel como parceira pra este tempo de vida. Muito lindo ver a empolgação das duas fazendo listas, programando a festa de inauguração, definindo lugar pros adornos que contam histórias da vida de cada uma, começando uma nova fase na amizade de longa data.
Passei uns dias por lá, ajudando a organizar a mudança. Quatro dias foi o bastante pra voltar com a sensação de dever cumprido, deixando o resto por conta delas. Não tenho nenhuma dúvida de que vão dar conta - e bem.
Cantinho do café, tv anos 60, cantinho da reza, caderno de receitas, parangolé, mata ao fundo, araras, baú e móveis antigos, mistura de livros e discos, tamborim, pinguim de geladeira, espumante e cachaça, cafeteira daquela terra distante que trouxe de viagem, copos lagoinha e ajeitos de bom gosto. Tudo lindo e cheio de causos pra contar.
Ficou linda a casa das meninas!
E minha passarinha vai aprendendo a construir e cuidar de seu novo ninho.

sábado, 30 de abril de 2011

ENTRE AMIGAS

Coisa boa é um grupo de amigas sair às compras, muito mais bacana do que qualquer homem possa entender. Foi o que fizemos eu, Alba, Juráila, Diana e Lêda num domingo sem marido ou filhos. O destino foi o Sams Club, onde nenhuma delas tinha ido antes.
De cara as emoções já começaram quando vimos os folhetos de promoções. Cada uma pegou um daqueles carrinhos enormes que no primeiro corredor já estavam praticamente cheios.
Nada escapava - de bacia pra fazer quitanda a banhos de assento; embalagens gigantes de papel higiênico (leve 48 pague 36), litros e mais litros de shampoo, malas de 8 rodinhas (perfeitas pr'as viajantes de plantão), pacotes de 5 kg de farinha de trigo pra fazer pão de cristo com a isca que Alba trouxe de Itambacuri (no colo, pra não supitar o fermento durante a viagem), ovos de páscoa de todas as marcas e tamanhos (que foram deixados pra trás porque, como diz Dica, toda mulher tem outras 2 dentro de si - a doida manda comprar tudo e a ajuizada manda devolver antes de passar no caixa), galões e mais galões de amaciante, detergente, água sanitária; pacotes de 1 kg de sazon, ração pra cachorro, tapetes pra banheiro, peças de presunto, chester, kits de toalhas de banho e rosto, tábua bacanérrima de passar roupas, ferro de passar profi ( com caldeira e tudo, igual de lavanderia), mantas inteiras de bacon, bacalhau, batatas fritas com carinhas smiles (em embalagens enormes!), caixas com sei lá quantos pacotinhos de bombril, estante com nichos para guardar brinquedos que virou organizadora pro closet de Jú (e que os filhos dela pensaram que era pra reciclagem de lixo), cabides, pão integral, sucrilhos...

Tem ainda as encomendas pras amigas ausentes que, sendo avisadas pelo celular sobre as promoções imperdíveis (telefonemas intermunicipais, diga-se de passagem), autorizam a compra sem ao menos ver (fraldas pro neto que ainda nem nasceu, achocolatados, aquela bebida que alguém falou que fortalece os ossos e impede a osteoporose, travesseiros).

Então tá - tudo comprado, é hora de guardar no carro. E pra caber? Lembrava uma gincana da tv anos atrás, que mandava colocar 20 pessoas dentro de um Fusca. Claro que ficou saindo gente - e mercadorias - pelas janelas, mas a alegria era maior que qualquer aperto. E o povo olhando, sem entender aquele bando de mulheres carregadas de compras falando todas ao mesmo tempo, rindo de chorar e combinando a próxima excursão.

E ainda tem gente que fala que felicidade não existe.

* Hoje é aniversário de meu vô Antonino - 103 anos. Parabéns, vovô!!!

sábado, 23 de abril de 2011

CHEIROS

· Itambacuri só tinha um carteiro – Zezé, que entregava as cartas de bicicleta. Quando ele entrava em férias tínhamos que ir ao correio ver se tinha correspondência. Os rapazes da cidade quase todos moravam no internato em Conceição do Mato Dentro e ficávamos ansiosas por notícias deles, nossos namorados. Telefone era muito caro e eles só iam pra lá nas férias – janeiro e julho, então a única comunicação era por carta. Eu namorava firme e tinha um trato de escrever todos os dias, então toda quinta recebia 3 cartas que foram escritas sexta, sábado e domingo anteriores e colocadas no correio na segunda daquela semana. Precisávamos ajudar a outra funcionária do correio a separar as cartas pra achar as endereçadas a nós. Lembro bem que a primeira coisa que eu fazia ao pegar no envelope era cheirar, porque a memória afetiva traz consigo o cheiro de quem escreveu. Nos últimos 20 anos as únicas cartas à mão que recebi foram escritas por mamãe, meu Walmir e Aninha Malfacini. Reconheci o cheiro de cada um deles nelas. E me emocionei a cada vez, que nem dia desses, comendo pequi.

· Cheiro de Pequi me traz a deliciosa presença de papai, me leva à infância sentada no chão com a cumbuca se enchendo de caroços - eu roendo e papai olhando, atento pra que não ferisse minha boca com os espinhos. No tal dia ele não estava aqui pra me olhar e furei a língua toda. Juráila se valeu de uma pinça e tirou os que conseguiu, mas muitos teimaram em se esconder e ficaram. Walmir brigou porque não tive cuidado e me machuco como uma adolescente estabanada, mas valeu a pena. Naquela noite sonhei com papai.

· Cheiro de fumaça me lembra as fogueiras em Castorina; cheiro de bebê, meus meninos pequeninhos; cachaça, a roça de Zé Lú; terra molhada, o quintal de vovô quando chovia; pele queimada, matança de porco na casa de mamãe; torra de café, comunidade Noiva do Cordeiro; cheiro de pão assando, minha casa desde sempre.

· Tem também os cheiros que nos remetem a lembranças ruins. A primeira coisa que acontece quando desgostamos de alguém é desagradar do cheiro. Aí não tem jeito. Acabou mesmo.

· Bom que os deliciosos são muito mais que os não bons. Cheirosas lembranças pra todo mundo!

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terça-feira, 22 de março de 2011

CHUP CHUP: R$ 0,40

CARRO LIMPO: NÃO TEM PREÇO

É doutor. E dos bons. Cismou de ser médico, estudou e até conseguir não desistiu. Já saiu da formatura arrumando a mala pra assumir um emprego no interior de SP. Poderoso o rapaz.
Biel comprou seu primeiro carro - tudo novo, inclusive a marca no Brasil. Um Cherry pretinho, completo, um sonho. Rumou pra Itambacuri tirando uma onda danada, e até esqueceu que olho gordo é uma merda.
Voltou pra Cachoeira Paulista feliz da vida, parou na padaria pra comprar pão e se refrescar com um chup chup. Chegou em casa - a casa fica numa ladeira - desceu do carro e foi abrir a garagem, só que pra não sujar a alavanca do freio com a mão melada não puxou. Pensou que o carro, além de chique e bonito, ainda devia ser inteligente. Não era. Enquanto abria o portão o sonho de Biel desceu a ladeira e só parou quando uma árvore entrou na frente.
Arregaçou o bonitão sem dó nem piedade. Bateu, se fodeu, mas continuou limpinho.
E sonho não tem preço...

sábado, 19 de março de 2011

EU, DIMAIOR E A COLCHA


Adiei o quanto pude voltar aos escritos no blog. Andava com o coração apertado, sossegado, preguiçoso, e só gosto de partilhar o que tenho vontade, sem obrigação nem cobrança.
Agora deu. Tô de volta.
Troquei de computador - o meu não digitava o tê, nem o ypsilone, nem os acentos, e ficava uma coisa esquisita ler e ficar deduzindo, então achei melhor dar o tempo pra voltar animada.
Meu ano começou meio atrapalhado, mas bom. Tava ansiosa pra fazer 50 anos, com inveja de quase todas as minhas amigas que passaram desta idade e ficaram ainda mais bacanas. Fiz - sem a sonhada comemoração, mas fiz. E penso que também fiquei mais bacana, que nem elas.
Artur ia fazer 18 e, pra mim, o rito da passagem dele pra maioridade era mais importante que qualquer outra coisa. Comemoramos do jeito que escolheu, com uns poucos amigos, durante o dia, pra que saísse à noite inaugurando seu documento de "Dimaior". Adoro ver ele e os amigos usando as expressões "dimaior" e "dimenor" - tem um que já fez 21 anos e o apelido continua sendo Dimenor. Engraçado, eu acho.
Muita coisa mudou desde o aniversário dele. Vi minha vida passando como num filme, me apeguei à lembrança de meus meninos todos pequenos, do nascimento de Tuti, de meu medo de não vê-lo adulto. Neura de mãe, mas era de verdade. Fiquei felizona por ele e por mim, assistindo ao tal filme e gostando do que vi.
A partir daí me senti mais livre pra algumas decisões, adiadas e adiadas e adiadas... Tem sido uma boa experiência ter todos os filhos adultos.
Ganhei de presente de natal uma colcha de retalhos, feita pelas mulheres da Noiva do Cordeiro. Recebi bem depois de dezembro, porque ainda não tinha ficado pronta. Foi encomendada por meu amigo oculto e muitas se encarregaram de fazer uma peça que fosse a minha cara - alegre, colorida, grande, florida. Ficou linda demais na minha cama. Ainda me pego emocionada quando entro no quarto e dou de cara com aquela cama enorme com tantas cores e boas energias, que as mãos de todas elas colocaram ali.
A colcha representa minha vida, que venho costurando cuidadosamente ao longo de meus 50 bem vividos anos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

PIANO, SAX , AUTO-ESCOLA

Ganhei um piano. Foi assim - ganhei. Falei pra meu povo daqui de casa que tinha ganhado, eles riram achando que eu tava ficando teretetê e o piano chegou. Simples assim. Tá lá na sala, em lugar de honra, lugar que 'tava esperando por ele. Pronto. Questão fechada. Tava no meu destino ganhar um piano e pronto...ganhei.
Aí acontece o inesperado; no dia seguinte à chegada do piano acordo com um saxofone tocando "cidade maravilhosa". Como assim? Afinal de contas não ganhei um sax; sou fã desde sempre (sempre que tomei conhecimento, digo), mas nunca pensei em aprender a tocar nem nunca tinha visto/ouvido um até me mandar de Itambacuri pra capital.
Então - foi assim - acordei sem entender o que tava acontecendo. O despertador nem tinha tocado e tava eu em estado de graça, ouvindo uma melodia linda às 6:23 da manhã, ou seja, ainda madrugada.
Cheguei na varanda de meu quarto de olhos bem abertos pra ter certeza de que não estava sonhando - e não estava.
Um instrutor de auto-escola tocava de verdade. O aluno não sabia se fazia baliza ou se emocionava com a música. Deve ter feito os dois, porque emocionar seria coisa certa, e fazer baliza seria necessário pra tirar carteira de motorista.
Os pedreiros da obra vizinha não gostaram. Preferem Banda Calypso. Fazer o quê, né? Música saxofonizada seria muito pra eles. Gritaram, xingaram, mandaram parar com aquela viadagem toda. O instrutor de auto escola parou. Rumou pra outro endereço, com ouvintes mais sensíveis.
Parou de ensinar baliza e de tocar sax.
Pena...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A falta que faz um T

Meu laptop aboliu o T. Quero escrever e me deparo com a impossibilidade por falta dessa tecla funcionar.
Escrever Teresa, técnica, televisão, traviata, trem, travesti, trapalhada, trapiche, trepada, trapacear, teoria, teologia, tartufo, tatuagem...nada disso dá. E tem cada palavra bacana que só!
Não poderia falar nem do DETRAN, que é o que vou contar hoje, no computador de meu marido.
Recebi uma correspondência pra renovar minha carteira de motorista, que vence daqui a um mês. Prevenida que sou, faço tudo o que é chato logo pra ficar livre. Fui.
Não podia ser através de despachante, uma vez que precisava trocar meu nome pro de casada. Tantos anos depois e só agora iria atualizar. Beleza.
Cheguei no DETRAN cedinho, pra evitar filas. Chuva que Deus dava e eu lá, esperando pra sair com tudo resolvido. Atualizaram meus dados, conferiram documento por documento, e vem a bomba: me mandaram pr'uma clínica na PQP de tão longe pra fazer de conta que ia fazer um exame. Fazer de conta eu digo porque é o exame mais furado que existe, em que não dá pra ninguém saber se você está ou não em condições físicas e psicológicas de conduzir qualquer veículo.
Argumentei com a moça do guichê, que me tratou mal pra caramba, que seria no mínimo razoável eu mesma escolher o local do exame, ou então eles me encaminharem pra que fosse mais perto.
Obs: tem uma na Timbiras e outra na Bernardo Guimarães, vizinhas ao detran.
Nada. Ela me ignorou, chamou outra senha e me deixou com cara de tonta falando sozinha.
Procurei o chefe do setor - ele me disse que era ordem do governador determinar a clínica na sorte, que a que caísse na digitação do nome do candidato à habilitação não poderia ser trocada.
Mais uma vez tentei explicar a dificuldade de atravessar a cidade debaixo daquele temporal pra fazer uma coisa tão simples, e que claro que seria possível facilitar a vida da gente, se tivessem vontade.
Não tiveram, nem a moça do guichê, nem o chefe dela, nem o supervisor do chefe, nem o delegado de plantão - conversei com todos e nada. Não adiantou minha conversa mansa, o jeito simpático - não tive o menor poder de convencimento. Ignoraram meus argumentos e me puseram pra correr com o rabinho entre as pernas.
Peguei um táxi furiosa, chorando de raiva, inconformada, indignada em me submeter à intransigência deles. Baixei na periferia da cidade enfrentando um trânsito caótico, paguei taxas caras no detran e na clínica, além de uma grana preta de táxi, tudo isto pra falar se tava enxergando 3 letras e 2 luzes. Em menos de 10 minutos eu tava com o protocolo pra receber a carteira revalidada.
Agora quem souber me diga - dá pra diminuir os acidentes nas cidades e nas estradas, quando o que os orgãos competentes pela legalização de documentos pra guiar se preocupam é em aumentar a "burrocracia", ao invés de ensinar e cobrar mais as normas d segurança?
Dá não.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O SUMIÇO DA PANTUFA

Gentem!!! Vocês sabem que não falo bobagem, né? E sabem ainda que o povo de Itambacuri é ninja demais e só indica coisa bacana...
Então. Vai ter o lançamento de um livro super hiper muito demais show de bola - O SUMIÇO DA PANTUFA, vencedor em 2009 do prêmio "Barco a Vapor", da Edições SM.
Vai ser sábado, na Livraria Corre Cutia, de 10 às 13hs, com direito a autógrafos e contagem de causos!
Dica pra chegar fácil: av do Contorno > rua Grão-Mogol > 1ª rua à esquerda, rua Outono, 579.
Vam'bora todo mundo lá. Aposto que ninguém vai se arrepender.
Bejim
Cândida
* Em tempo: Ganhei um piano de presente. É piano mesmo, daquele de tocar, que fica na sala de visitas. Amanhã vou contar a história. Não percam. Inté!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

FAMÍLIA É PRATO DIFÍCIL DE PREPARAR
(do livro "O Arroz de Palma",de Francisco Azevedo)

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MENINA DE OURO-PRATA-BRONZE

Minha menina de ouro conquistou o bronze no concurso da Anglogold, o maior concurso de joias de ouro do mundo.
Imaginem uma menina encantadora - a minha LIS - pensando que queria muito mais do que ser publicitária e sem saber que rumo tomar...e mamy aqui, sem saber o que dizer pra tal moça bacana.
Fez um curso legal, graduou-se e teve homenagem de criação na formatura, trabalhou com moda, foi trapaceada pelo sujeito que vendia carnê do Baú da Felicidade numa kombi, fez estágio bem remunerado na empresa de publicidade de um dos "mensaleiros", não gostou da experiência e deu de fazer o curso de joalheria, pós-graduação na área, montou a oficina de jóias e pronto!!! T'aqui minha menina, brilhando mais que ouro em tudo o que se aventura a fazer.
A festa foi linda. Palácio das Artes pequeno pra tanta emoção. Eu, mãe apaixonada pela ninhada que sou, não sabia se ria ou chorava. Achei que o "mais bom" era comemorar com ela, abraçar muito, brindar, alegrar.
Com ela e todos os amigos parceiros pra sempre, que andam comigo pela vida.

http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1630663-9798,00-LUIZA+BRUNET+POSA+COM+AS+JOIAS+VENCEDORAS+DE+CONCURSO+EM+BH.html


terça-feira, 9 de novembro de 2010

DO BANCO DE LEITE AO ENEM

Vivi com meu "anjo fiote" a ansiedade dos exames do ENEM. Passamos um fim de semana por conta de arrumar lanches pra levar, conferir documentos e material, dormir mais cedo pra acordar bem disposto, ter uma alimentação balanceada, enfim, dedicamos 2 dias às tais provas, ele como candidato a uma vaga na universidade e eu como mãe cuidadosa.
Pra quê? Pra ver a desorganização e irresponsabilidade do MEC atrapalharem toda a preparação técnica e emocional dos alunos.
A escola onde meu filho fez as provas ficou sem luz até as 15 horas; desde 1/2 dia os candidatos estavam lá dentro e não puderam sair até que a energia elétrica fosse reestabelecida, já que a faculdade Pitágoras não tem geradores. Terminaram a prova às 19:30h, exaustos e estressados. Domingo foi menos tumultuado , o que não impediu que houvesse confusão em alguns locais de aplicação das provas, inclusive com um aluno fotografando as questões e enviando pelo celular sei lá pra quem. É, o aluno entrou com celular, o que era - ou deveria ser - expressamente proibido e fiscalizado. Não foi.
Agora a notícia de que os exames podem ser anulados. Não quero acreditar que o ENEM vai ser motivo de chacota sempre, que ano após ano os responsáveis provem sua incapacidade pra organizar o que é de sua alçada, com todas as condições pra fazer um trabalho bem feito e não o fazem. Mais uma vez, azar dos alunos que estavam bem preparados.
Quando vejo meu menino que foi amamentado por mais de 2 anos, bem cuidado até mandar parar, estudou em excelentes escolas, trabalha desde os 15 anos, criou um jogo na internet que já tem dado frutos, enfim, é difícil de acreditar que virou um homem. Assustei quando fui deixá-lo lá no primeiro dia, eu mais agoniada do que ele. Estava seguro, equilibrado, preparado pra tomar seu primeiro rumo na vida por sua própria e solitária escolha. Definiu o curso, fez a inscrição, matriculou-se no cursinho prévestibular, estudou por 9 horas todos os dias, deu conta até aqui. Vai dar sempre, aposto. É um sujeito bacana.
Chorei emocionada me lembrando dele pequeninho, mamando no peito e me dividindo com outras crianças que também amamentei - o primo que foi adotado e a mãe ainda não sabia o que fazer com o bebê que surgiu de uma hora pra outra; o filho do amigo do pai, que era prematuro e o leite da mãe secou por causa da depressão pós parto; os bebês internados e ainda na incubadora, que eram alimentados com doação de leite materno para o banco de leite.
Era até engraçado. O furgão da maternidade vinha à nossa casa uma vez por semana, deixava 7 mamadeiras esterilizadas e levava outras 7 cheias de leite materno congelado. Durante a semana eu ia enchendo com o que sobrava depois que todos mamavam - não desperdiçava nada. Primeiro mamava Tuti, depois íamos pra casa do prematuro, depois pra casa do que foi adotado, depois tirava e ia enchendo as mamadeiras. Nessa mexida já era hora de repetir a "operação", então imaginem o que mais eu fazia além de amamentar, tomar banho, comer e dormir? Nada. Não sobrava tempo. Durante mais de um ano foi assim, até que mantive só o de meu menino - ate o desmame, muito tempo depois.
Chegou uma hora em que não deu mais, não porque não quiséssemos, mas porque ele rejeitava a maioria dos alimentos, só queria peito, e puxava minha roupa na rua ou em qualquer lugar quando a fome batia. Demoramos pra dar conta de desapegar, e nem sei bem se demos. Temos uma ligação eterna como mãe e filho, eu sei, mas sinto ainda uma comunicação interna que é, muitas vezes, inexplicável. Um sempre sabe o que tá acontecendo com o outro, mesmo sem precisar contar.
Agora está ele aí, neste mundão de meu Deus, escrevendo sua história do jeito que escolheu. E eu aqui, com o colo.
E os trabalhadores do governo lá, sem saber fazer uma prova direito, deixando nossos meninos sem saber se o esforço que fizeram vai valer.
Dá pra entender?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

SOFASES BRANCOS

Quem assistiu ao Jornal Nacional hoje ouviu o apresentador falando: " Em assalto no interior de São Paulo bandidos levam meio milhões de reais".
Ops! Meio milhões?
Voltei ao tempo em que meus filhos estudavam no Instituto Zilah Frota, a escola mais burguesa que o mundo já viu.
O uniforme:
* Meninos: calça curta de tergal cinza+camisa colarinho branca+gravata xadrez de verde e vermelho+meia escocesa xadrez+sapato de amarrar de couro marrom+pasta de couro marrom+merendeira de couro marrom
* Meninas: Saia plissada de tergal cinza+camisa branca+gravata xadrez+meia escocesa+sapato boneca de couro marrom+ pasta de couro marrom+,merendeira de couro marrom
* Pra meninos e meninas: Macacão cáqui com o nome bordado no peito
* Pra meninos e meninas - o uniforme de gala, que acrescentava capa e meias 3/4 brancas pra ambos e laço de fita de cetim branco pras meninas.

Era assim - iam pra escola impecáveis e voltavam ainda mais impecáveis. Chegavam lá e trocavam de roupa; colocavam o macacão e faziam todas as atividades. Faltando 30 minutos pro final da aula era hora da faxina de devolução pros pais - lavavam mãos e rosto, escovavam os dentes e as unhas, recolocavam o uniforme escocês e eram entregues à família.
A devolução: Os responsáveis iam buscar as crianças, algumas poucas mães, poucos caseiros e muitos, muitos motoristas. Até quem morava a um quarteirão da escola achava mais chique mandar motorista. Eu achava era muito brega morar ao lado da escola e mandar algum funcionário buscar meus filhos, então era uma daquelas "poucas mães" - senão a única - a entrar na fila de chamada. Chegávamos lá e tinha aquela fila enorme, as crianças nas salas de aula, e cada uma era chamada pelo autofalante pelo nome e sobrenome, aí descia. Pronto, 'tava entregue. Êita frescura!
Enfim, contei esta ladainha toda pra falar da primeira comunhão no Zilah Frota que era igual casamento, tamanha preparação e gastos.
Estava numa reunião de pais - mães, governantas e nenhum pai - pra decidir sobre a cerimônia da primeira comunhão. Eu, com a paciência que tenho sempre com frescura e conversas idiotas, 'tava lá sentadinha assistindo à esplanação sobre a programação da cerimônia.
Uma mãe chique - mas burra até mandar parar - dá de dizer que não concordava em cortar gastos imprescindíveis na festa de primeira comunhão, que a escola ficar inteirinha decorada com flores e "sofases" brancos era questão fechada pra ela.
Não consegui me conter, levantei e vim embora. Uma mãe que acha de suma importância sofases brancos não deveria nem abrir a boca, né não? Ia eu ficar fazendo o que naquela reunião?
A mesma coisa fiz hoje, ao ouvir "meio milhões" no Jornal Nacional - levantei e vim fazer um caldo de feijão caprichado. E tomar uma cachaça fazendo um brinde aos "sofases brancos".

TIA NITINHA

Em 1979 eu, menor de idade, terminei o segundo grau e queria vir pra BH estudar. Mamãe bateu o pé - "só depois dos 18 anos", dizia sempre, com a autoridade de quem sabia tudo o que seria melhor pra cada um dos filhos.
Saída de um noivado recém acabado, eu queria porque queria vir pra capital, começar uma vida nova.
Tudo combinado com papai, meu parceiro incondicional, esperamos mamãe ir pra São João Del Rey fazer um curso de especialização pra comprar passagem.
Vim. Fugi com a conivência de papai. Peguei um ônibus lá em Itambacuri e baixei aqui, na rua Serravit - Floresta. Guardo doce lembrança daquele endereço.
Vim. Pra casa de tia Nitinha, a tia mais encantadora e doce que alguém pode querer.
Os sábados à tarde eram dedicados ao vício - mesas de baralho. Marisa, já casada com Marcinho e com o filho Alexandre pequeninho, organizava os campeonatos de buraco.
Cassinha era solteira e minha companheira naquele quarto do tamanho do mundo. Dormíamos em camas vizinhas, mas como eu era muito menina, lembro bem dela me dando conselhos pra ficar esperta na capital.
Cozinho me apresentou pizza com catupiry, Fagner na vitrola, papo cabeça. Namorava Soraya e era fiel até a morte, mas me dava atenção como a uma irmã mais nova.
O Mineirão - a primeira vez que fui assistir a um jogo foi na torcida do Atlético, com Marcinho e Marcelo, irmão dele. Triste lembrança - não pude reclamar, nem sendo cruzeirence desde nascença. Papai morreu sem saber dessa traição...
Fui passar a tarde ontem com tia Nitinha. Ela operou do joelho e sempre reclama que foi abandonada por mim, que sumi depois que casei, coisas de tia que gosta muito da gente e fica enciumada quando não damos a devida atenção. Pois então, fui vê-la ontem.
Na chegada encontrei Cassinha, prima querida, que não via há uns 13 anos. Acho que nos encontramos no batizado de Bernardo, seu anjo fiote, que já fez 15.
Sabem aquela alegria de não querer parar de abraçar? Então, foi assim. Conversamos até, tomamos cerveja, prometemos não nos perder de vista nunca mais, combinamos de marcar uns goles debaixo do pé de couve de sua casa nova. Descobrimos que envelhecemos falando das noras queridas - Ana (de meu Pedro) e Zilda (do Pedro dela), das faculdades dos filhos, do vício em cigarro - eu parei por promessa a São Jorge, ela não - enfim, foi um dia mágico, que me levou às mais doces lembranças.
Tia Nitinha, vou sempre me lembrar da acolhida que tive ao chegar nesta cidade que hoje considero minha terra - a acolhida mais protetora que desejo, tenham meus filhos, se algum dia se mudarem de minha casa.
Tia, Isão, Cassinha, Có - vocês vão estar sempre num lugar especial de minha vida.
Can

domingo, 10 de outubro de 2010

A PÁ E A LANTERNA

"Lembro-me de ver meu avô enterrar as cinzas da minha avó na fazenda da família, há 25 anos. Era uma noite fria de inverno, em novembro, no norte do estado de Nova York. Nós, os filhos e netos, fomos todos andando atrás do meu avô nas sombras arroxeadas da noite, pelos prados conhecidos, até o ponto arenoso da curva do rio onde ele decidira enterrar os restos de sua mulher. Levara uma lanterna na mão e uma pá no ombro. O chão estava coberto de neve e foi difícil cavar ali, mesmo para um objeto tão pequeno quanto aquela urna, mesmo para um homem tão robusto quanto o vovô Stanley. Mas ele pendurou a lanterna no galho nu de uma árvore e cavou o buraco sem parar - até que acabou. E é assim. Temos alguém por algum tempo e aí essa pessoa se vai.
E isso acontecerá com todos nós, com todos os casais que ficarem juntos com amor; algum dia (se tivermos sorte de passar a vida juntos), um de nós levará a pá e a lanterna para o outro."

Aposto que quem me acompanha no blog 'tá pensando que ando com fixação em casamento. Pode ser. É a terceira vez que trato do assunto, e com muito prazer, diga-se de passagem. Na verdade ando é apaixonada, cada dia mais encantada pelo meu Walmir.
E ele comigo - diz todos os dias e eu acredito.
Aconteceu "o" tão esperado casamento de Ana e Luiz. Tenho que me referir a ele como "o", porque não me lembro de ter visto cerimônia tão linda.
Pra começar o lugar é muito legal. Bonito, confortável, decorado com extremo bom gosto.
A cerimônia - alguém já assistiu à entrada de uma noiva ao som de harpa? Isto mesmo - tinha uma haspista tocando a marcha nupcial. Minhanossasenhora! É emocionante com força, gente. E os casais de pajens/daminhas? E o padre que falou lindo demais? Aquilo lá dá prazer de ouvir, e tinha verdade em cada palavra. E acredito que sim, Ana a Luiz querem iluminar a vida e ficar juntos até que seja necessária a pá.
Buffet perfeito, músicas idem.
Emocionou muito a alegria dos noivos e dos convidados. Sabem quando o mundo tá em festa, que entra um por um naquela onda de alegria? Então - foi assim.
Ana, linda linda linda, com um vestido em que nada sobrava nem faltava, na medida exata da beleza, andava pelos salões como se estivesse nas nuvens, numa leveza que só a felicidade plena nos permite. Luiz, encantado que estava com a noiva, olhava com a amorosidade dos realizados. Era este o clima da comemoração, de sonho. Lindo sonho.
Um brinde ao amor!
* E pra completar a perfeição, tinha bem-casados...

domingo, 3 de outubro de 2010

NÃO ACABOU

Infelizmente não acabou; 31 de Outubro tem mais - mais obrigação de votar, mais lei seca, mais caixa postal cheia de emails falando mal de um ou do outro candidato que restou, mais denúncias em jornais e revistas, mais debates repetitivos, enfim, mais chatura até lá.
A única coisa que sinto falta é dos candidatos engraçados do horário eleitoral, ainda que ache um absurdo quem não gosta dos programas e não tem canais pagos ficar sem opção de mudar de canal - ou assiste ou desliga.
Se já não gosto de votar, aí é que me dá mais antipatia - ter que ir lá duas vezes, e pra escolher um dos que não escolhi antes. Êita chateação, viu?
Mas nem tudo é ruim de todo, e às vezes é até bem engraçado. Depois de votar eu e Walmir fomos ao mercado comprar umas coisas pro almoço. Ele viu uma placa dizendo que era proibido vender bebida alcoólica hoje por força da lei eleitoral. Emburrou, cismou que ia comprar cerveja de qualquer jeito, tentou convencer a moça do caixa e o gerente a passar as cervejas com o se fossem outras mercadorias - não conseguiu. Ficou resmungando alto, xingando quem inventou a tal proibição.
Como ele raramente bebe álcool, perguntei se 'tava mesmo com tanta vontade de beber e ele disse que não, que queria comprar só de pirraça, porque achava desaforo uma lei determinar que dia de eleição era mais importante que outro dia qualquer de trabalho. Por que pra trabalhar todo dia neguinho pode chapar - não deve, mas se quiser pode - e pra votar tem que ir sóbrio? Se ainda fosse pra escolher sempre certo seria até bom, mas não tem sobriedade que faça com que sejam sempre os melhores escolhidos.
Pra comprovar basta ver a lista dos eleitos. Dá tristeza. Dificilmente alguma coisa vai mudar.

sábado, 2 de outubro de 2010

CASAMENTO

Casamento é boa coisa, eu acho. Sempre me alegro sabendo de alguém que vai se casar, vendo a pessoa animada e sonhadora, se empenhando pra organizar o "grande dia".
Nasci pra ter a vida que tenho. Desde pequena respondia, a quem me perguntava o que ia ser quando crescesse, que queria casar e ter um monte de filhos. Cá estou, do jeitinho que sempre quis, rodeada por minha prole e, de quebra, ganhei mais 3 filhos já crescidos e adoráveis.
Uma semana atrás foi Laurinha, minha florzinha preta, que se mudou pra Itacaré com o amado Bruno. Vejo as fotos da casa dela e mal posso acreditar que aquela menininha brava e atrevida virou mulher - o tempo voou e a menina também.
Hoje é o dia de Bel, moça brilhante, dona do cabelo mais lindo que já vi - cachos de anja - oficializar sua união com Felipe. Convidou pra madrinhas todas as grandes amigas, e minha filhota é uma delas. Semana inteira trocando figurinhas no facebook, marcaram maquiagem e manicure, hidrataram as madeixas, enfim, foi o bando se preparando. Tá todo mundo curtindo a superfesta agora.
No próximo sábado é de Ana e Luiz. Se o noivado foi emocionante - num helicóptero sobrevoando Manhattan em pleno reveillon - imaginem como será o casamento. Lá vou eu chorar de emoção vendo a noiva entrar na igreja. Sempre choro. Acho lindo!
E os bem-casados? Existe algum doce mais gostoso? E o que representam é muito bom também. Tinha um trauma com relação a eles, que curei no casamento com meu Walmir. A comemoração foi bem íntima, só nós e filhos, num almoço depois do cartório, mas teve bem-casados de sobremesa.
Tenho algumas amigas que, penso, são felizes nos relacionamentos; outras, nem tanto. Tudo tem os dois lados, inclusive viver sozinho, mas viver junto é muito legal. Exercitamos diariamente parceria, paciência, generosidade, alegria, tolerância; um aprendizado constante e delicioso.
Boa sorte aos noivos!