terça-feira, 10 de julho de 2012
PRÉ-CONCEITO É FODA!
Caí do cavalo nesta semana, de domingo até hoje 2 vezes, ou seja, 2 vezes em 3 dias é pra pessoa parar pra pensar, né não?
Domingo, fazendo comida boa pra meus amores, dei raiva dos programas idiotas da televisão aberta e fechada.
"Coloca um dvd bacana pra mim, Tuti!"
Colocou. Seu Jorge América Brasil. Comprei faz tempo, mas tentei assistir um dia e desanimei. Achei ruim na primeira música.
"Já que taí vou ver tudinho", pensei.
Ô gente, dá até vontade de chorar porque fiquei com ele tanto tempo enfeitando a estante e não assisti. É o trem marlindo do mundo. Uma alegria só. Quando vi as "minina" dele, duas pequetitas, cantando e fazendo uma homenagem à mãe Mariana, eu queria morder a peroba de raiva de mim por ter sido preconceituosa, intolerante, FDP de ter julgado um trabalho sem ter visto.
Alguma vez você já viu uma comida e pensou: "nusga, isto não é gostoso" sem ao menos provar? Aposto que sim.
Então...eu fiz a mesma coisa - Não vi e não gostei.
Agora (agora mesmo, meianoiteedozedodia11dejulhodedoismiledoze) a mesma coisa aconteceu. Sempre tive uma implicância com Maytê Proença como atriz. No Saia Justa até gostava das opiniões dela, mas achava que devia ficar só ali, no programa, que pra outra coisa não era boa.
Aí vem o remake de Gabriela. Pelamordedeus, gente!!! Ela tá bacana como Dona Sinhazinha! Tá sim, podem conferir. Hoje deu inteiramente - e literalmente - pro dentista (nem sei o nome, mas afh...é bonito o sujeito), só que o romance não explícito era o mais sensual, mais que dava tesão, mais que eu torcia por ela. ..
Ó Maytê, você nasceu pra ser Sinhazinha e dar pro dentista. Vai aguentar aquele marido que só manda deitar "que vou lhe usar" mais não. Dá. Pronto. Falei.
Aí chega meu Walmir e conta uma novidade: tava ensaiando "O INIMIGO DO POVO" pra nova temporada e recebeu uma proposta decente de Rômulo Duque, que me inclui como camareira nas viagens da trupe (tinha que ter uma função pra poder ir 0800...). Êba! Vou sim, passar muita roupa, contar muitos causos, tirar muitas fotos, rir de doer o queixo, tomar cerveja bagarái...
Casa, comida e roupa lavada. Meu amor merece. E tem.
Pré-conceito besta o das feministas.
Salve (m) nossos homens!!!
Salve Jorge!!!
sexta-feira, 15 de junho de 2012
BELO VALE FOREVER...
Da chegada até a partida, nada era previsto com tanta bacanagem.
Ainda na cidade, onde nos encontramos, a cozinha de dona Carmem e Lourdinha tinha de um tudo - bolo, café com prosa, risadaiada, arroz doce, biscoito de polvilho, cerveja gelada, queijadinha sergipana feita por Duda, só delícias...
Nossos anfitriões deram de convidar um amigo extra, que não fazia parte do grupo, mas que sendo um sujeito legal merecia participar de nossa tchurma. Eu e Marísia fomos buscá-lo na entrada da cidade e, pra início de conversa, ele usava a camisa pelo avesso. Êpaêpaêpa! Como assim? Será que é uma moda que não conheço?
- Nos siga, gente boa!
- Belê...
Meu carro é preto, ele seguiu um carro vermelho.
Como assim, gente? Ele nos viu dentro do carro, arrancamos juntos, e o ômi sumiu do nada. Será que caiu no rio Paraopeba? Juro que pensei nessa possibilidade, depois da primeira impressão. Duda, espevitada que é, atenta a tudo, disse que ele tinha virado pra outra rua. Celular em punho, Marísia consegue cercá-lo no posto de gasolina.
- Esperaí, não saia do carro.
Rebocamos o tal esperto.
Mal chegou na casa tentou vender um revólver pros nossos maridos. Tudo isto em menos de 30 minutos, juro e tenho testemunhas. Rômulo resolveu levá-lo a uma comunidade próxima, onde pretende ele fazer um estudo psiquiátrico. Foram.
-Vambora pra casa de Aparecida e João matar o porco, gente!!! Última chamada de Marísia pra quem ficou.
Já dentro dos carros tivemos que abortar a partida - Peninha se descobriu infestado de carrapatos. Arrancou as meias em desespero e jogou fora, arrancou a camisa e a calça, correu pro banheiro, tomou banho e sapecou álcool e nada - a coceira não passava. Levantou a bermuda e duas respeitáveis senhoras casadas começaram a cata nas coxinhas do rapaz em plena avenida principal de Belo Vale. Enquanto isto Iremar sai correndo pro banho, porque também havia sido atacada pelos marditos.
O castigo aí não veio a cavalo não, veio foi nas telhas de 1700eseilá que roubaram na visita à cachoeira da Boa Esperança.
Mais de hora depois conseguimos partir.
- João! Ô João! Eles chegaram!!!
Foi assim, com Aparecida gritando toda alegre seu amado que fomos recebidos na Chácara dos Cordeiros. Mais café com biscoito e todas as atenções se voltam pro porco piado pra morrer. João tem a manha e o bicho morreu dignamente, sem um rosnado sequer. Sapeca o couro, abre, separa miúdos e carne - tudo regado a uma cachacinha da boa - vira tripas pra fazer linguiça, aferventa, enfim, uma alegria só a mexida do porco. O que não foi comido lá dividimos pra trazer, cada um pra sua casa.
Como o rim já era reservado pra mim (trauma de infância, se não comer o rim rejeito o porco inteiro) tratei de comer logo pra liberar o resto.
Tinha bingo depois da reza numa fazenda vizinha, e lá vai o bando todo amontoado na carroceria da caminhonete de Peninha. Arrematamos uns leilões (4 asinhas de frango com 1/2 copo de cachaça por 5 real - 1 latinha de cerveja kaiser por 3,50, mas era pra ajudar a igreja, então entramos no clima e valeu a pena), não ganhamos nenhum bingo, mas voltamos mais alegres - e chapados - do que fomos. Volta tranquila, com cantoria e um frio fodido, até que Eduarda senta na barriga de uma determinada pessoa que tinha tomado umas 8 latinhas de cerveja. A carroceria alagou de xixi, lógico. Quanto mais riso mais alagamento. Humilhação, vexame, gozação com a moça seguida por todos até o chuveiro. Me mata que não conto quem foi...
Amanhecemos rindo das lembranças da noite e a movimentação toda de domingo era na colheita de mexericas. Tava tudo "laranjadinho" segundo o proprietário João, com os pés carregados de frutas maduras. De novo trepamos nos carros com sacos e baldes pra encher.
Que decepção! Chegamos lá e não tinha mais nada. O caminhão que iria carregar segunda tinha ido na sexta feira sem avisar, e nós crentes que tava tudo no pé.
Não seja por isto; voltamos pra almoçar e jogar mais bingo, desta vez só entre nós. Todo mundo ganhou, e era cada prenda bacana que só vendo. Claro que uns com inveja dos outros, porque sempre é assim, né? A gente cobiça o que não ganhou. Aline ganhou até ovo de codorna com Ki-suco de prenda. Eu sonhei com o pano de prato que Duda ganhou e garrou, não quis trocar nem dar nem vender. Agora me digam: cumé que uma criança pega afeição por um pano de prato? Deve estar fazendo enxoval e o pobre do pai ciumento nem sabe de nada... Ô dó!
Partida pra BH já com saudade e promessa de voltar pro casamento na roça dia 30. Carro carregado de mudas e limão e carnes do porco e prendas do bingo e fotos e, principalmente, muitas e alegres lembranças. Inté, pessoal!!!
sábado, 7 de abril de 2012
DOCES AFILHADOS
Oficialmente tenho 3 - Juliana (que já me fez dindavó com a pequena Beatriz), Matheus e Raquel. Dei de pensar no que significa ser madrinha de alguém - coisa de responsa.
Filho é continuidade.
Irmão é extensão.
Afilhado é confiança.
De dois deles fui escolhida pelas mães; de Quel a escolha foi dela mesma.
Tenho muito orgulho de todos e de cada um em especial, ainda que não seja uma dinda das mais presentes. Sei que também represento boa coisa na vida de todos eles, e que sabem que têm em mim um colo quentinho, parecido com colo de mãe - parecido porque colo de mãe não existe igual - mas que dá pra aconchegar sempre que precisarem.
Jú, Theu e Quequel - meu dia hoje é dedicado a vocês.
Muito amor. Sempre.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
INFERNO ASTRAL
Fazendo uma simples comparação, é como se fossem 30 dias corridos de TPM da braba.
Tudo o que poderia dar errado dá; tudo o que deveria dar certo dá errado.
Filho adoece; nosso corpo padece de cansaço - parece que se preparando pra ficar mais velho; tudo na casa inventa de dar defeito ao mesmo tempo; amigos cobram uma atenção que não damos conta de ter com todos; marido reclama de nossa impaciência.
Comemorar o aniversário vira uma questão de honra, tantas são as dificuldades.
Ainda bem que chega o "grande dia". Além de findar o inferno, receber cada um dos que se lembram e vem nos abraçar, trazer presentes e brindar conosco vale toda a ruindade dos dias que antecederam.
É amanhã! Tô que não me aguento. Meu lado criança renasce das cinzas a cada novo aniversário.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
PREGUIÇA
Tem dias que a preguiça é de acordar, n'outro é de trabalhar, n'outro é de conversar - só não tenho preguiça de comer e beber, porque de resto tenho é demais. É meu pecado predileto.
Hoje, por exemplo, minha preguiça-mor é de ser mãe e dona da casa. Ter que pensar em tudo, da empregada que desapareceu sem dar satisfação até o almoço de amanhã dá vontade de sumir, virar pó, sair pra comprar cigarro - e nem fumar eu fumo mais - e entrar pra lista de desaparecidos, voltar daqui a 5 anos sem explicar nem por onde andei.
Dá preguiça até em quem tá lendo, aposto.
E preguiça de gente? Nusga, tem demais. De gente burra então... E daqueles metidos a besta?
Aí vem o coração de manteiga e a preguiça perde pro amor: fiotinha encantadora que liga cheia de "sodade", mãe amorosa que promete vir passar meu aniversário pertinho, amiga-irmã que já comprou a cachaça pra comemorar a vida comigo dia 31 na minha bat-cozinha, marido bacana que prepara lanchinho pra mulher morta de cansaço.
Ah! Com ou sem preguiça viver é muito bom, né não?
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
MINHA PRIMEIRA VEZ
Gente, pode todo mundo morrer de inveja, porque nenhuma viagem a Paris seria melhor que esta. Minhas bochechas deram cãimbra de tanto rir.
Um monte de homens e 3 mulheres - Ana Amélia, Bianca e eu.
Rolou tudo que foi assunto da saída daqui até a chegada aqui também, 30 horas depois da partida. Tudo o que aconteceu antes, durante e depois vai nos dar saudade por muito tempo, aposto.
Até um namorado baiano pra "Fuscão Preto" - apelido de um dos integrantes da comitiva - surgiu do nada, com direito a cortejo e tudo, quando paramos pra comer pão com linguiça.
Gente com quebranto também teve, né "Martins"? Deve ser melancolia, lembrança das "pinceladas" que levou quando era mais jovem. A cura? Nas mãos de Ana Amélia, que se comprometeu a incluir incenso e até jantar romântico no pacote de benzeção. Afinal de contas, segundo as convicções da benzedeira, reza, boquete e copo d'água não se pode negar a ninguém...
Bianca se desespera querendo fumar e pensa em sair voando da van - voando de rodo, já que com o tempo nublado a vassoura da bruxa é substituída por rodo...
Babalu - vulgo do moço bonito de olhos verdes, clone de Letícia Spiller - pede uma coçadinha nas costas de algum caridoso, carente que ficou sozinho no último banco. Se coçou sozinho, ninguém deu confiança...
Jefferson dá de contar que um amigo ficou seduzido pelo traseiro de outro e quis saber se o dono dava. Disse ele que achava que sim, desde que tivesse alguém pra segurar...
Música ambiente ao som de Amelinha, Joyce, Roberto Leal e tudo o que de mais barango existe. Vai ver foi o romantismo dele que conquistou o baiano na parada da linguiça.
Como tinha um bando de viciados no meio dos passageiros, um deles decidiu que o mais justo seria fumarem à vontade lá dentro, e quem não fosse fumante colocasse o nariz pra fora da janela. Ainda bem que Bira, o motorista gente boa, defendeu a equipe não viciada e impediu tal atitude cabeluda.
Felipe dá de contar o que aconteceu com ele na noite anterior. O companheiro de quarto falou: "Tem coisa melhor que uma boa cagada?", ao que ele respondeu: "Ó, ou eu não aprendi a cagar ou você nunca trepou..."
Bianca conta de suas experiências na loja de maquiagem - chique com força - em que trabalha; da mulherada pobre e sem noção que chega lá querendo montar um kit de 100,00 - isto num lugar em que o que custa menos é um baton de 92,00. Nem o baton só com a caixa de presente fica por cem pilas, quanto mais um kit. E aquelas que vêem um estojo de sombra e perguntam se é blush? Pois tem, e diz ela que dá vontade de responder: "é blush sim, sua baranga. A moda agora é ser avatar e pintar a cara de azul"...
Márcio, Fuscão e Ana trabalham no atendimento telefônico de informações sobre a Campanha de Popularização e contam as pérolas que são obrigados a ouvir:
* "Teatro adulto é só pra adulto?"
* "Em teatro infantil criança paga?"
* "Se criança de 2 anos não paga, posso deixar ela lá dentro e esperar cá fora?"
* "Que dia apagam as luzes de natal da Praça da Liberdade?"
* "Vocês vendem ingressos pro FIT?" - (sabendo que ligou pra Campanha...)
* "Quanto é o ingresso pro Cirque du Soleil?" - ( de novo, sabendo que ligou pra Campanha...)
Pra fechar com chave de ouro, quase chegando em BH, paramos num engarrafamento da estrada. Peninha olha pro lado e se emociona: "Cândida, você não vai acreditar! Uma moto de Itambacuri aqui do lado!". É demais, né não? Uma moto de nossa terra parar bem ali, do ladinho? Peninha tinha outro codinome quando vivia lá - Ludovico. Mudou quando veio pra capital. Alguma razão há de ter, eu penso, mas ele disfarça e não conta. Ainda descubro e conto procês.
O todo poderoso Rômulo foi e voltou de avião. Se ferrou. Comeu um pacotinho de amendoim e tomou refrigerante quente, enquanto nós comíamos pão com linguiça e tomávamos caldo de cana geladinho. Foi mudo e voltou calado, enquanto nossa viagem foi o que de mais alegre e falante poderia ser.
Enfim, ficou pra história.
Depois desta sou parte integrante fixa da equipe. Onquesfô eu vô.
A primeira vez a gente nunca esquece!
sábado, 31 de dezembro de 2011
GIOVANA, BUNITINHA, ANO NOVO...
2011, 2012...Giovana, Bunitinha - uma se preparando pra chegar neste mundão de meu Deus, outra se preparando pra partir; Uma é filha, outra mãe; Uma não sabe nada, a outra sabe tudo o que precisou saber pra construir sua vida e merecer tanto amor como tem dos seus; Uma é metade, 5 meses na barriga de Aninha se formando aos pouquinhos - a outra é inteira numa família linda e amorosa, cabelinhos brancos e cheirosos, pele rosada e bem cuidada; Uma vai chegar com tudo, a outra vai deixar tudo e reencontrar seu grande amor; Uma tem tempo certo pra chegar - outra tem tempo incerto pra partir. Bom que seja assim. O ciclo da vida ser imprevisível.
Mudanças acontecem o tempo todo, umas boas, outras ótimas. Mudar é sempre bom.
Somos obrigados a reorganizar a vida do "zero", virar as gavetas, doar muitas coisas, perder outras tantas, achar muitas outras.
Minhas caixas da mudança foram uma surpresa constante. Nunca sabia se, ao abrir cada uma delas que foi embalada por meu amado marido, iria encontrar um sapato ou umas xícaras. Assim mesmo.
Ele foi eficiente quanto ao aproveitamento dos espaços, e onde cabia um dedo mindinho qualquer coisa era encaixada.
Enquanto isso o ciúme corre solto. Teve até amiga querendo alugar apartamento no mesmo prédio, pra não perder na concorrência da convivência. Bobagem. Amizade boa que nem a nossa não tem concorrência - é única e especial.
Comemoramos juntas a vida, a vizinhança, os segredos. Brindamos com bolo, espumante, sopa de lentilhas, whisky, macarrão, mousse de maracujá e, mais bacana, abraços amorosos e boa prosa.
Bunitinha ronca em sua cama branquinha, relaxada num sono reparador, depois de semana agitada.
Giovana mexe e balanga o barrigão de sua mama, que não sabe se leva Johan pra ver os fogos do reveillon ou se bota Artur pra dormir.
Aninha e Cláudia, mãe e filha, amigas amadas que merecem minha homenagem de ano novo. Uma pertinho, 4 andares de distância de elevador - outra lonjão, 500km de estrada ruim e esburacada. No meu coração emboladas no mesmo carinho.
Um 2012 abençoado, amigas!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Pouco troco, muita raiva
Hoje passei uma raiva federal, daquelas que depois a gente pensa "bobagem, não valia a pena me desgastar", mas aí não adiantava mais - já tava furiosa, chutando pedra.
Fui comprar um remédio na Drogaria Araújo da zona hospitalar, em frente ao Hospital São Lucas. Enorme. Acho que a maior de toda a rede, pelo menos que eu conheça. A conta deu 37,48. Beleza. Paguei com uma nota de 50,00. A moça do caixa me devolveu 12,50 sem a menor cerimônia, nenhuma balinha, nenhuma caixa de fósforos, nenhuma satisfação, nada. Perguntei se ela não tinha os 2 centavos porque achei desaforo - sempre acho, mas nunca falo nada.
Aí o bicho pegou, porque ela disse que 2 centavos só tinha com o gerente. Piorou a situação gritando pra outra que estava no meio da farmácia: "Liane, pega 2 centavos pra dona aqui lá na gerência!"Gente, o caixa é quem cobra e recebe, então porque 2 centavos tem que pegar na gerência? A Drogaria Araújo arrumou um jeito doido demais de surrupiar o troco da gente, né não?
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Barbies, Pégasus, aniversário!
Mas foi com alegria, sem "minanconia", como diz meu Walmir.
Ria de algumas coisas, como de quando decidiu fugir de casa aos 5 anos e a fuga durou um quarteirão; da viagem dela pra Disney com uma amiga aos 11 anos que dava um livro; da briga que teve com umas ex-amigas do Zilah Frota que me fez soltar os cachorros - literalmente - nas meninas que xingaram a minha...Quem cruzava comigo na pista devia achar que eu ria do que ouvia no rádio - caminho com fones ouvindo a BandNews ou CBN. Era não. Ria de mim e de outras lembranças.
Tem gente que diz que as crianças de hoje são menos felizes que as de antigamente. Por antigamente entenda-se anos 70, quando eu era criança. Discordo.
Pelo menos as minhas tiveram de tudo um pouco - vida de interior, contato com bichos de toda natureza, viagens bacanas, experimentos com comidas variadíssimas, quintal, fruta no pé e, de quebra, computador e toda a parafernália eletrônica. Tiveram sim, foi uma infância muito mais rica.
Pois então; na andança vejo um menino brincando na calçada com um carrinho de controle remoto enquanto a mãe caminhava. Aí aparece na memória como se fosse hoje eu, nas Lojas Americanas, esperando chegar o caminhão que traria o Pégasus, carrinho que todos os meninos com idade de 1 a 100 anos desejavam ganhar de natal naquele ano. E eu lá, na fila, porque os meus tinham certeza de que a carta que colocamos no correio tinha chegado ao destinatário Noel e ele não ia quebrar a promessa de trazer o presente.
Braços carregados - casa da Barbie, Ken japonês, Barbie negra, Pula pula, Bola do Cruzeiro, carrinho de bebê pras bonecas - e eu lá, na fila, esperando o Pégasus.
Será que este brinquedo ainda existe? O daqui de casa foi pra alguma creche, porque tudo o que não é usado passo pra diante. É bom. Sempre que entra alguma coisa nova sai uma outra.
A coleção de Barbies de Lis foi pra alguma menininha que ficou feliz demais, porque tinha de tudo, da cozinha ao carro, e ainda de quebra o noivo, porque tinha Ken de tudo que era jeito.
Hoje minha menina é uma mulher feita, decidida, competente, artista de mão cheia, feliz. Vive à beira do mar, cria jóias maravilhosas, cuida da própria casa e da vida que é boa demais. Penso que tao boa graças também à infância que teve.
Parabéns, fiotinha!
domingo, 25 de setembro de 2011
FOGO ENGOLE TUDO - DE NOVO
"A vegetação, neste inverno seco, era um palheiro esperando fagulhas.
Há dois anos o sistema de irrigação e proteção contra incêndios deixou de funcionar. E ficou assim.
Antes, esguichava água todas as tardes e todas as manhãs; durante 5 anos não ocorreram incêndios.
A MBR, mineradora que hoje pertence à Vale – e que devastou a parte anterior da Serra do Curral para extrair minério – responsável pela instalação e manutenção do sistema no alto da montanha - informou que ele não funcionou por conta de uma pane elétrica.
Mentira, já não funcionava há muito tempo. Mas nós ficamos calados.
Os bombeiros disseram que jovens, buscando recuperar pipas, atearam o fogo.
Eram jovens num Festival de Pipas promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, na Praça do Papa.
Não sei. Foi uma coluna de fogo - de alto a baixo da montanha - repentina, furiosa pelo vento. Repentina. Não me pareceu coisa de jovens desavisados, desconfio, mas não afirmo contra.
Em vinte horas, 85% da mata virou cinza.
A Serra do Curral é o Corcovado de Belo Horizonte, vastos alqueires de montanha cobertos de vegetação, habitados por pequenos mamíferos – muitas espécies de roedores, micos, quatis - répteis, aves de toda espécie como beija-flores, canários e azulões; aves de rapina grandes e pequenas, os elegantes gaviões, corujas buraqueiras, urubus-rei. Todos perderam seus ninhos e filhotes nos alpendres de pedra da montanha de onde, todos os dias, levantavam seus vôos de variada qualidade.
O capim alto, pendoado em vermelho no outono e amarelo ressequido neste inverno, verde e lindo nas primaveras; vegetação característica do cerrado, arbustos, muitos pinheiros nos contrafortes baixos. E as orquídeas? Minúsculos pontos coloridos na escarpa. Nada mais, só esqueletos e cinza.
Desgosto.
Tudo agora está preto, calcinado, pedras negras espetadas como túmulos, silêncio dos pássaros, cheiro de animais em decomposição, de carne queimada. O vento carrega o cheiro brando da morte para dentro de nossas casas, empesteia o nariz de quem caminha no Anel da Serra.
Moro de frente para a montanha. Basta atravessar a rua e, ali mesmo, começa a erguer-se o monumento natural mais belo da cidade.
Dois quarteirões atrás fica o palácio das Mangabeiras, residência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Se ele estava lá na noite do dia 5, deve ter presenciado a tragédia. Mas ficou calado.
O prefeito da cidade, Fernando Pimentel, se viu, também se calou.
Jornais e Tvs receberam alguns alertas, não se manifestaram.
Nós, moradores, nada fizemos para prevenir a tragédia anunciada, reclamamos entre nós do inverno ressequido, da falta de esguichos da MBR/Vale.
Reclamamos em casa, lamurientos, mas não tomamos qualquer atitude.
A associação do Bairro foi inoperante, fomos inoperantes, não nos mobilizamos, alertamos, e o seco inverno transformou a Serra do Curral num fogueira de 20 horas que nos cobre a todos de vergonha.
Ao final, a culpa ficará com uns garotos que soltavam pipa."
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
CONTO DE FADAS
"Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda,
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée,
- Eu, hein?... nem morta!"
OLHA ELA AÍ
sábado, 10 de setembro de 2011
ALEGRIA ALEGRIA
domingo, 26 de junho de 2011
DESTINO OU ESCOLHA?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
RICARDO ELETRO=DESESPERO!!!
A vendedora foi solícita - claro, queria vender - e eu uma trouxa, porque como era uma coisa de que tava precisando muito, logo fiz negócio. Já tinha pesquisado em outras lojas e na internet, então decidi numa segurança de dar inveja. Subi as escadas (a contragosto, porque se fosse deficiente tinha desistido da tal compra) e catei logo um caixa pra pagar. Paguei.
Na hora de pegar a mercadoria na expedição cadê? Não tinha o que comprei. E o responsável pela entrega ainda debochou de mim e me mandou descer as malditas escadas e "caçar" a vendedora. Nada... a vendedora tinha saído pra almoçar.
Tentei resolver com calma e nada. Chorei até desidratar e nada também. Fiquei tão indignada que liguei pra polícia - nada também, não apareceu nenhum policial pra me socorrer. Nenhum funcionário sabia o que fazer, sendo que tudo o que eu queria era que cancelassem o débito no cartão ou me devolvessem em dinheiro, já que não tinham a mercadoria pra me entregar. Nada...
Cheguei na loja antes das 14 horas e saí às 16:50 sem nada resolvido. A única coisa que eu sabia era que ia morrer numa grana preta de estacionamento, e foi o que aconteceu - 48,00 por quase 4 horas.
Agora quem souber me diga: o que devo fazer? Mandei um e-mail no site da RICARDO ELETRO, mas minha amiga já me desanimou e disse que não vão me dar a menor confiança.É assim que trabalham, disse-me ela.
Tô sem o dinheiro, com o débito no cartão, sem o que comprei - acrescido de um prejuízo de 48,00 de estacionamento enquanto me desesperava na loja. E aí, sr RICARDO DEUS MENTIROSO, que faz aquela propaganda toda na TV e não banca o que fala? Cadê seu telefone, que vc diz pra gente ligar pra você? Será que só eu sou uma idiota de acreditar ou Luciano Huck também é, já que avalisa tudo o que você promete?
sábado, 28 de maio de 2011
De Walmir para Lis
seus anjos de guarda são dois. Um fala agora, o outro depois.
Este que agora fala garante um momento justo, com brincos de prata e ouro, junta formas a esmo coisas foscas ou brilhares, que vêm de tantos lugares que nem os anjos se lembram, mas tocam em frente o processo.
Escreva então outro verso!
E sua mão obedece cegamente, comportada, e mesmo que não diga nada, no fim a forma te intriga.
O outro anjo te escuta, pondera, discute contigo, aconselha como amigo a escolher cada pedra, evitando o perigo de registrar cegamente as coisas que vêm à mente e comprometem depois.
Você tem muitos amigos, mas anjos de guarda, só dois.
Um deles volta à carga e te mantém artesando e criando e bebendo. Você é só instrumento de mensagens imediatas, de conclusões provisórias que, se não contam histórias, também não são um lamento.
Tens uma história simples, uma família normal, tens amigos, colegas e um afeto especial. Tens coisas diferentes, às vezes incompatíveis, milhares de neurônios e um curso superior que contigo se indispôs.
Tens um milhão de motivos, mas, anjos da guarda, só dois.
Rogas pragas criativas: “mas que puta que pariu”, xingas. No sábado ou no domingo e às vezes pela semana, dizes que vai à merda e oferece carona, mas se comporta direito. Paras no bar, se abastece, te dás o que bem mereces e não reclamas depois.
Você tem muitos defeitos, mas anjos de guarda, só dois.
Rende à fadiga do corpo, à meditação necessária. Para, limpa a área mais ou menos e vai descansar, finalmente. Come do último doce e liga a televisão. Viver assim, não é mole, mas tudo sempre se encontra no lugar onde se pôs.
E vais dormir. Boa noite
Tu e seus anjos. Os dois.
sábado, 14 de maio de 2011
CASA DAS MENINAS
Não foi assim, de repente, fugiu da gaiola quando fui colocar água fresca e comida. Não - foi de caso pensado e sem nenhuma precipitação.
Vinha falando na mudança há algum tempo, no sonho de ter seu canto, das amigas que queriam sua companhia na casa nova, no amor pelo mar e pelos ares do Rio, nas aventuras e desventuras vividas na cidade maravilhosa em infindáveis vezes que esteve por lá, umas experiências mais e outras menos alegres - mas todas elas muito bacanas.
Escolheu Bebel como parceira pra este tempo de vida. Muito lindo ver a empolgação das duas fazendo listas, programando a festa de inauguração, definindo lugar pros adornos que contam histórias da vida de cada uma, começando uma nova fase na amizade de longa data.
Passei uns dias por lá, ajudando a organizar a mudança. Quatro dias foi o bastante pra voltar com a sensação de dever cumprido, deixando o resto por conta delas. Não tenho nenhuma dúvida de que vão dar conta - e bem.
Cantinho do café, tv anos 60, cantinho da reza, caderno de receitas, parangolé, mata ao fundo, araras, baú e móveis antigos, mistura de livros e discos, tamborim, pinguim de geladeira, espumante e cachaça, cafeteira daquela terra distante que trouxe de viagem, copos lagoinha e ajeitos de bom gosto. Tudo lindo e cheio de causos pra contar.
Ficou linda a casa das meninas!
E minha passarinha vai aprendendo a construir e cuidar de seu novo ninho.
sábado, 30 de abril de 2011
ENTRE AMIGAS
De cara as emoções já começaram quando vimos os folhetos de promoções. Cada uma pegou um daqueles carrinhos enormes que no primeiro corredor já estavam praticamente cheios.
Nada escapava - de bacia pra fazer quitanda a banhos de assento; embalagens gigantes de papel higiênico (leve 48 pague 36), litros e mais litros de shampoo, malas de 8 rodinhas (perfeitas pr'as viajantes de plantão), pacotes de 5 kg de farinha de trigo pra fazer pão de cristo com a isca que Alba trouxe de Itambacuri (no colo, pra não supitar o fermento durante a viagem), ovos de páscoa de todas as marcas e tamanhos (que foram deixados pra trás porque, como diz Dica, toda mulher tem outras 2 dentro de si - a doida manda comprar tudo e a ajuizada manda devolver antes de passar no caixa), galões e mais galões de amaciante, detergente, água sanitária; pacotes de 1 kg de sazon, ração pra cachorro, tapetes pra banheiro, peças de presunto, chester, kits de toalhas de banho e rosto, tábua bacanérrima de passar roupas, ferro de passar profi ( com caldeira e tudo, igual de lavanderia), mantas inteiras de bacon, bacalhau, batatas fritas com carinhas smiles (em embalagens enormes!), caixas com sei lá quantos pacotinhos de bombril, estante com nichos para guardar brinquedos que virou organizadora pro closet de Jú (e que os filhos dela pensaram que era pra reciclagem de lixo), cabides, pão integral, sucrilhos...
Tem ainda as encomendas pras amigas ausentes que, sendo avisadas pelo celular sobre as promoções imperdíveis (telefonemas intermunicipais, diga-se de passagem), autorizam a compra sem ao menos ver (fraldas pro neto que ainda nem nasceu, achocolatados, aquela bebida que alguém falou que fortalece os ossos e impede a osteoporose, travesseiros).
Então tá - tudo comprado, é hora de guardar no carro. E pra caber? Lembrava uma gincana da tv anos atrás, que mandava colocar 20 pessoas dentro de um Fusca. Claro que ficou saindo gente - e mercadorias - pelas janelas, mas a alegria era maior que qualquer aperto. E o povo olhando, sem entender aquele bando de mulheres carregadas de compras falando todas ao mesmo tempo, rindo de chorar e combinando a próxima excursão.
E ainda tem gente que fala que felicidade não existe.
* Hoje é aniversário de meu vô Antonino - 103 anos. Parabéns, vovô!!!
sábado, 23 de abril de 2011
CHEIROS
· Itambacuri só tinha um carteiro – Zezé, que entregava as cartas de bicicleta. Quando ele entrava em férias tínhamos que ir ao correio ver se tinha correspondência. Os rapazes da cidade quase todos moravam no internato em Conceição do Mato Dentro e ficávamos ansiosas por notícias deles, nossos namorados. Telefone era muito caro e eles só iam pra lá nas férias – janeiro e julho, então a única comunicação era por carta. Eu namorava firme e tinha um trato de escrever todos os dias, então toda quinta recebia 3 cartas que foram escritas sexta, sábado e domingo anteriores e colocadas no correio na segunda daquela semana. Precisávamos ajudar a outra funcionária do correio a separar as cartas pra achar as endereçadas a nós. Lembro bem que a primeira coisa que eu fazia ao pegar no envelope era cheirar, porque a memória afetiva traz consigo o cheiro de quem escreveu. Nos últimos 20 anos as únicas cartas à mão que recebi foram escritas por mamãe, meu Walmir e Aninha Malfacini. Reconheci o cheiro de cada um deles nelas. E me emocionei a cada vez, que nem dia desses, comendo pequi.
· Cheiro de Pequi me traz a deliciosa presença de papai, me leva à infância sentada no chão com a cumbuca se enchendo de caroços - eu roendo e papai olhando, atento pra que não ferisse minha boca com os espinhos. No tal dia ele não estava aqui pra me olhar e furei a língua toda. Juráila se valeu de uma pinça e tirou os que conseguiu, mas muitos teimaram em se esconder e ficaram. Walmir brigou porque não tive cuidado e me machuco como uma adolescente estabanada, mas valeu a pena. Naquela noite sonhei com papai.
· Cheiro de fumaça me lembra as fogueiras em Castorina; cheiro de bebê, meus meninos pequeninhos; cachaça, a roça de Zé Lú; terra molhada, o quintal de vovô quando chovia; pele queimada, matança de porco na casa de mamãe; torra de café, comunidade Noiva do Cordeiro; cheiro de pão assando, minha casa desde sempre.
· Tem também os cheiros que nos remetem a lembranças ruins. A primeira coisa que acontece quando desgostamos de alguém é desagradar do cheiro. Aí não tem jeito. Acabou mesmo.
· Bom que os deliciosos são muito mais que os não bons. Cheirosas lembranças pra todo mundo!
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terça-feira, 22 de março de 2011
CHUP CHUP: R$ 0,40
É doutor. E dos bons. Cismou de ser médico, estudou e até conseguir não desistiu. Já saiu da formatura arrumando a mala pra assumir um emprego no interior de SP. Poderoso o rapaz.
Biel comprou seu primeiro carro - tudo novo, inclusive a marca no Brasil. Um Cherry pretinho, completo, um sonho. Rumou pra Itambacuri tirando uma onda danada, e até esqueceu que olho gordo é uma merda.
Voltou pra Cachoeira Paulista feliz da vida, parou na padaria pra comprar pão e se refrescar com um chup chup. Chegou em casa - a casa fica numa ladeira - desceu do carro e foi abrir a garagem, só que pra não sujar a alavanca do freio com a mão melada não puxou. Pensou que o carro, além de chique e bonito, ainda devia ser inteligente. Não era. Enquanto abria o portão o sonho de Biel desceu a ladeira e só parou quando uma árvore entrou na frente.
Arregaçou o bonitão sem dó nem piedade. Bateu, se fodeu, mas continuou limpinho.
E sonho não tem preço...
sábado, 19 de março de 2011
EU, DIMAIOR E A COLCHA
Adiei o quanto pude voltar aos escritos no blog. Andava com o coração apertado, sossegado, preguiçoso, e só gosto de partilhar o que tenho vontade, sem obrigação nem cobrança.
Agora deu. Tô de volta.
Troquei de computador - o meu não digitava o tê, nem o ypsilone, nem os acentos, e ficava uma coisa esquisita ler e ficar deduzindo, então achei melhor dar o tempo pra voltar animada.
Meu ano começou meio atrapalhado, mas bom. Tava ansiosa pra fazer 50 anos, com inveja de quase todas as minhas amigas que passaram desta idade e ficaram ainda mais bacanas. Fiz - sem a sonhada comemoração, mas fiz. E penso que também fiquei mais bacana, que nem elas.
Artur ia fazer 18 e, pra mim, o rito da passagem dele pra maioridade era mais importante que qualquer outra coisa. Comemoramos do jeito que escolheu, com uns poucos amigos, durante o dia, pra que saísse à noite inaugurando seu documento de "Dimaior". Adoro ver ele e os amigos usando as expressões "dimaior" e "dimenor" - tem um que já fez 21 anos e o apelido continua sendo Dimenor. Engraçado, eu acho.
Muita coisa mudou desde o aniversário dele. Vi minha vida passando como num filme, me apeguei à lembrança de meus meninos todos pequenos, do nascimento de Tuti, de meu medo de não vê-lo adulto. Neura de mãe, mas era de verdade. Fiquei felizona por ele e por mim, assistindo ao tal filme e gostando do que vi.
A partir daí me senti mais livre pra algumas decisões, adiadas e adiadas e adiadas... Tem sido uma boa experiência ter todos os filhos adultos.
Ganhei de presente de natal uma colcha de retalhos, feita pelas mulheres da Noiva do Cordeiro. Recebi bem depois de dezembro, porque ainda não tinha ficado pronta. Foi encomendada por meu amigo oculto e muitas se encarregaram de fazer uma peça que fosse a minha cara - alegre, colorida, grande, florida. Ficou linda demais na minha cama. Ainda me pego emocionada quando entro no quarto e dou de cara com aquela cama enorme com tantas cores e boas energias, que as mãos de todas elas colocaram ali.
A colcha representa minha vida, que venho costurando cuidadosamente ao longo de meus 50 bem vividos anos.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
PIANO, SAX , AUTO-ESCOLA
Aí acontece o inesperado; no dia seguinte à chegada do piano acordo com um saxofone tocando "cidade maravilhosa". Como assim? Afinal de contas não ganhei um sax; sou fã desde sempre (sempre que tomei conhecimento, digo), mas nunca pensei em aprender a tocar nem nunca tinha visto/ouvido um até me mandar de Itambacuri pra capital.
Então - foi assim - acordei sem entender o que tava acontecendo. O despertador nem tinha tocado e tava eu em estado de graça, ouvindo uma melodia linda às 6:23 da manhã, ou seja, ainda madrugada.
Cheguei na varanda de meu quarto de olhos bem abertos pra ter certeza de que não estava sonhando - e não estava.
Um instrutor de auto-escola tocava de verdade. O aluno não sabia se fazia baliza ou se emocionava com a música. Deve ter feito os dois, porque emocionar seria coisa certa, e fazer baliza seria necessário pra tirar carteira de motorista.
Os pedreiros da obra vizinha não gostaram. Preferem Banda Calypso. Fazer o quê, né? Música saxofonizada seria muito pra eles. Gritaram, xingaram, mandaram parar com aquela viadagem toda. O instrutor de auto escola parou. Rumou pra outro endereço, com ouvintes mais sensíveis.
Parou de ensinar baliza e de tocar sax.
Pena...
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A falta que faz um T
Escrever Teresa, técnica, televisão, traviata, trem, travesti, trapalhada, trapiche, trepada, trapacear, teoria, teologia, tartufo, tatuagem...nada disso dá. E tem cada palavra bacana que só!
Não poderia falar nem do DETRAN, que é o que vou contar hoje, no computador de meu marido.
Recebi uma correspondência pra renovar minha carteira de motorista, que vence daqui a um mês. Prevenida que sou, faço tudo o que é chato logo pra ficar livre. Fui.
Não podia ser através de despachante, uma vez que precisava trocar meu nome pro de casada. Tantos anos depois e só agora iria atualizar. Beleza.
Cheguei no DETRAN cedinho, pra evitar filas. Chuva que Deus dava e eu lá, esperando pra sair com tudo resolvido. Atualizaram meus dados, conferiram documento por documento, e vem a bomba: me mandaram pr'uma clínica na PQP de tão longe pra fazer de conta que ia fazer um exame. Fazer de conta eu digo porque é o exame mais furado que existe, em que não dá pra ninguém saber se você está ou não em condições físicas e psicológicas de conduzir qualquer veículo.
Argumentei com a moça do guichê, que me tratou mal pra caramba, que seria no mínimo razoável eu mesma escolher o local do exame, ou então eles me encaminharem pra que fosse mais perto.
Obs: tem uma na Timbiras e outra na Bernardo Guimarães, vizinhas ao detran.
Nada. Ela me ignorou, chamou outra senha e me deixou com cara de tonta falando sozinha.
Procurei o chefe do setor - ele me disse que era ordem do governador determinar a clínica na sorte, que a que caísse na digitação do nome do candidato à habilitação não poderia ser trocada.
Mais uma vez tentei explicar a dificuldade de atravessar a cidade debaixo daquele temporal pra fazer uma coisa tão simples, e que claro que seria possível facilitar a vida da gente, se tivessem vontade.
Não tiveram, nem a moça do guichê, nem o chefe dela, nem o supervisor do chefe, nem o delegado de plantão - conversei com todos e nada. Não adiantou minha conversa mansa, o jeito simpático - não tive o menor poder de convencimento. Ignoraram meus argumentos e me puseram pra correr com o rabinho entre as pernas.
Peguei um táxi furiosa, chorando de raiva, inconformada, indignada em me submeter à intransigência deles. Baixei na periferia da cidade enfrentando um trânsito caótico, paguei taxas caras no detran e na clínica, além de uma grana preta de táxi, tudo isto pra falar se tava enxergando 3 letras e 2 luzes. Em menos de 10 minutos eu tava com o protocolo pra receber a carteira revalidada.
Agora quem souber me diga - dá pra diminuir os acidentes nas cidades e nas estradas, quando o que os orgãos competentes pela legalização de documentos pra guiar se preocupam é em aumentar a "burrocracia", ao invés de ensinar e cobrar mais as normas d segurança?
Dá não.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O SUMIÇO DA PANTUFA
Então. Vai ter o lançamento de um livro super hiper muito demais show de bola - O SUMIÇO DA PANTUFA, vencedor em 2009 do prêmio "Barco a Vapor", da Edições SM.
Vai ser sábado, na Livraria Corre Cutia, de 10 às 13hs, com direito a autógrafos e contagem de causos!
Dica pra chegar fácil: av do Contorno > rua Grão-Mogol > 1ª rua à esquerda, rua Outono, 579.
Vam'bora todo mundo lá. Aposto que ninguém vai se arrepender.
Bejim
Cândida
* Em tempo: Ganhei um piano de presente. É piano mesmo, daquele de tocar, que fica na sala de visitas. Amanhã vou contar a história. Não percam. Inté!!!
sábado, 27 de novembro de 2010
(do livro "O Arroz de Palma",de Francisco Azevedo)
"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."